- Deus existe.
- Deus é amoroso e todopoderoso.
- Deus se revela aos homens através da Bíblia.
- Deus se revela na Bíblia como um Deus Triúno: uma só essência, um só Deus, subsistindo em três pessoas - Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
- A revelação da Bíblia é progressiva, de Gênesis a Apocalipse a luz de Deus se revela mais e mais.
- O mundo pode ser compreendido de acordo com três categorias existenciais: Criação, Queda e Redenção.
- Satanás, na qualidade de um ser angélico, é uma criação anterior ao homem e se rebelou contra Deus, tornando-se um anjo caído.
- Deus criou pessoalmente o cosmos e o homem em perfeitas condições e em plena harmonia entre o homem e o cosmos.
- Deus criou o homem como coroa de toda a criação e o fez à Sua imagem e semelhança.
- Ao criar o homem à sua imagem e semelhança Deus estabeleceu o mandato espiritual uma vez que com isso deu a entender que criou o homem para ter comunhão com ele.
- Ao dizer ao homem 'sejam fecundos e multipliquem-se' e 'não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea', Deus estabeleceu o mandato social para que o homem estabelecesse as famílias, as clãs e os povos e nações.
- Ao dizer ao homem 'encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra' Deus estabeleceu o mandato cultural, pelo qual o homem se torna representante de Deus no cosmos para cuidar da sua habitação, para descobrir todas as potencialidades do cosmos em favor do bem comum e assim glorificar a Deus.
- Satanás se posicionou como inimigo da humanidade sob a soberania e controle de Deus.
- Na criação original de Deus não havia o pecado e nem a morte.
- O homem foi colocado à prova por Deus e se rebelou contra Deus, tendo sido tentado por Satanás, pecou contra Deus e trouxe para si e para o cosmos onde habitava a maldição de Deus. Por que o salário do pecado é a morte.
- O pecado, entrando através do homem, trouxe a morte espiritual e a morte física ao homem e a desarmonia no cosmos, habitação original do homem, de maneira que o sofrimento que agora há no mundo é resultado direto do pecado.
- Deus trouxe a mitigação da maldição que o homem conquistou para si e preparou um processo de restauração do homem e do cosmos sob maldição antes mesmo da fundação do mundo.
- Essa mitigação se dá através da Graça Comum e da Graça Especial.
- Pela Graça Comum, Deus trás igualmente as bênçãos da criação sobre os justos e sobre os injustos e coloca um limite à capacidade do homem de pecar contra Deus e contra o seu próximo.
- Pela Graça Especial Deus enviou seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, na plenitude dos tempos, o qual se encarnou como um homem na Palestina há cerca de 2.000 atrás, tomando sobre si a humanidade do homem e os pecados de muitos homens.
- Jesus Cristo veio para tomar sobre si e expiar os pecados apenas daqueles homens que haviam sido escolhidos por Deus, antes da fundação do mundo, para serem salvos da condenação do inferno. Deixando os demais homens entregues a si mesmos ao destino que merecem por serem filhos de Adão e trazerem sobre si não só o pecado original mas também os seus próprios pecados.
- Ainda pela mesma Graça Especial, Deus restaura os eleitos, livrando-os dos seus pecados e das consequências desses mesmos pecados, e também restaura o cosmos ao seu esplendor e harmonia originais.
- Jesus Cristo, o Filho de Deus Encarnado, é a revelação exata de Deus Pai, Ele é cem por cento Deus e cem por cento homem ao mesmo tempo, Ele é o único mediador entre Deus e os homens, Ele é exclusivamente o caminho, a verdade e a vida e ninguém pode ir a Deus a não ser através de Jesus Cristo.
- A plenitude dessa restauração só se dará por ocasião da Segunda Intervenção de Deus na história, coisa que ocorrerá no futuro da história da humanidade, ficando, até lá, o homem sujeito às consequências do pecado, embora sob suavização da Graça Comum de Deus.
- Os homens possuem hoje corpos corruptíveis e mortais, restringidos a uma expectativa de vida em torno de 80 anos, ao final dos quais eles morrem e seus corpos se decompõem. Como a Bíblia diz: o corpo volta à terra e o espírito volta a Deus.
- Depois de um intervalo de tempo, de competência exclusiva de Deus, haverá uma ressurreição dos homens, os quais terão seus corpos transformados de corpo anímico para corpo espiritual. Ou seja, os homens receberão um corpo físico transformado que não mais envelhecerá, nem adoecerá e muito menos morrerá novamente.
- A garantia de que esses fatos ocorrerão é a histórica ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus, que, tendo sido morto historicamente na Palestina há cerca de 1967 anos atrás, ficou em um túmulo durante três dias e ressuscitou no terceiro dia, aparecendo glorificado para muitas testemunhas oculares. A ressurreição de Jesus Cristo é a inauguração da ressurreição de todos os eleitos, que receberão um corpo glorificado como o dele, capaz de viver para sempre tanto na nova terra como no novo céu.
- Os céus e a terra estão agora separados, mas, na plenitude da restauração do cosmos, Deus trará os céus para a terra e haverá um novo céu e uma nova terra em harmonia.
Friday, December 31, 2004
Expandindo o esboço da cosmovisão...
Thursday, December 30, 2004
TSUNAMI...
O meu alter ego é cristão e ele raciocina baseado nos seguintes pressupostos:Uma tragédia dessas proporções constitui-se num prato feito para aqueles que não
crêem na existência de um Deus que é, ao mesmo tempo, amoroso e todopoderoso.
Eles raciocinam assim: se Ele é todopoderoso, então não pode ser amoroso, pois
permitiu que a Tsunami se formasse e a tragédia se instalasse. Se Ele é amoroso,
então não pode ser todopoderoso, pela mesma razão.
- Deus existe.
- Deus é amoroso e todopoderoso.
- Deus se revela aos homens através da Bíblia.
- O mundo pode ser compreendido de acordo com três categorias existenciais: Criação, Queda e Redenção.
- Satanás, na qualidade de um ser angélico, é uma criação anterior ao homem e se rebelou contra Deus, tornando-se um anjo caído.
- Deus criou pessoalmente o cosmos e o homem em perfeitas condições e em plena harmonia entre o homem e o cosmos.
- Deus criou o homem como coroa de toda a criação e o fez à Sua imagem e semelhança.
- Satanás se posicionou como inimigo da humanidade sob a soberania e controle de Deus.
- Na criação original de Deus não havia o pecado e nem a morte.
- O homem foi colocado à prova por Deus e se rebelou contra Deus, tendo sido tentado por Satanás, pecou contra Deus e trouxe para si e para o cosmos onde habitava a maldição de Deus. Por que o salário do pecado é a morte.
- O pecado, entrando através do homem, trouxe a morte espiritual e a morte física ao homem e a desarmonia no cosmos, habitação original do homem, de maneira que o sofrimento que agora há no mundo é resultado direto do pecado.
- Deus trouxe a mitigação da maldição que o homem conquistou para si e preparou um processo de restauração do homem e do cosmos sob maldição, antes da fundação do mundo.
- Essa mitigação se dá através da Graça Comum e da Graça Especial.
- Pela Graça Comum, Deus trás igualmente as bênçãos da criação sobre os justos e sobre os injustos e coloca um limite à capacidade do homem de pecar contra Deus e contra o seu próximo.
- Pela Graça Especial Deus enviou seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, na plenitude dos tempos, o qual se encarnou como um homem na Palestina há cerca de 2.000 atrás, tomando sobre si a humanidade do homem e os pecados de muitos homens.
- Jesus Cristo veio para tomar sobre si e expiar os pecados apenas daqueles homens que haviam sido escolhidos por Deus, antes da fundação do mundo, para serem salvos da condenação do inferno. Deixando os demais homens entregues a si mesmos ao destino que merecem por serem filhos de Adão e trazerem sobre si não só o pecado original mas também os seus próprios pecados.
- Ainda pela mesma Graça Especial, Deus restaura os eleitos, livrando-os dos seus pecados e das consequências desses mesmos pecados, e também restaura o cosmos ao seu esplendor e harmonia originais.
- A plenitude dessa restauração só se dará por ocasião da Segunda Intervenção de Deus na história, coisa que ocorrerá no futuro da história da humanidade, ficando, até lá, o homem sujeito às consequências do pecado, embora sob suavização da Graça Comum de Deus.
- Os homens possuem hoje corpos corruptíveis e mortais, restringidos a uma expectativa de vida em torno de 80 anos, ao final dos quais eles morrem e seus corpos se decompõem. Como a Bíblia diz: o corpo volta à terra e o espírito volta a Deus.
- Depois de um intervalo de tempo, de competência exclusiva de Deus, haverá uma ressurreição dos homens , os quais terão seus corpos transformados de corpo anímico para corpo espiritual. Ou seja, os homens receberão um corpo físico transformado que não mais envelhecerá, nem adoecerá e muito menos morrerá novamente.
- A garantia de que esses fatos ocorrerão é a histórica ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus, que, tendo sido morto historicamente na Palestina há cerca de 1967 anos atrás, ficou em um túmulo durante três dias e ressuscitou no terceiro dia, aparecendo glorificado para muitas testemunhas oculares. A ressurreição de Jesus Cristo é a inauguração da ressurreição de todos os eleitos, que receberão um corpo glorificado como o dele, capaz de viver para sempre tanto na nova terra como no novo céu.
Eu, diferentemente de meu alter ego, tenho uma porção de dúvidas sobre essa tragédia. Não chego a ser um ateísta, mas não sou um teísta cego: eu tenho dúvidas. Também a mim me choca saber que cerca de 140 mil pessoas passaram desta para outra em apenas algumas horas. Me choca saber que cerca de 45 mil dessas pessoas eram crianças que ainda não discerniam o bem e o mal do mundo em que viviam. Se eu creio em Deus e creio que Ele é quem mantém esse mundo, tenho de admitir também que a movimentação das placas tectônicas não estava fora do Seu controle. Se eu pudesse classificar a vontade de Deus em pelo menos duas categorias, a decretiva e a permissiva, eu teria que admitir, no mínimo, que essa movimentação sísmica estava debaixo da vontade permissiva de Deus. Isso para não pensar na outra possibilidade, que me traria ainda mais dificuldades, a vontade decretiva. Aparentemente, essas pessoas morreram assim sem nenhum propósito definido [se é que é necessário que as coisas que acontecem nesse mundo tenham algum propósito segundo nossa lógica]. Algumas pessoas, ignorante ou cinicamente, chegaram a verbalizar que tal 'desperdício' de vidas tinha pelo menos a função de controle populacional.
Então, isso foi a vontade permissiva de Deus? Para o bem dessas pessoas, Deus resolveu recolhê-las aos eternos campos de caça?
De acordo com a cosmovisão de meu alter ego, exposta nos 21 pontos estabelecidos acima, muitas dessas pessoas, talvez a grande maioria, adentraram o inferno há quatro dias atrás e lá permanecerão por toda a eternidade... elas não eram eleitas para a salvação. Lembre-se que muitas dessas pessoas não-eleitas eram apenas criancinhas 'inocentes' [alguns dirão que esse raciocínio é fruto do meu 'humanismo'!]... Elas nem sabiam que estavam aqui no mundo e nem sabiam que estavam destinadas ao inferno... Agora, especulemos. Se elas permanecerem sem discernimento sofrendo no inferno... [isso parece monstruoso, ou seria glorioso???] Que glória poderia haver em criancinhas queimando eternamente no inferno???? Se, de repente, de inconscientes na terra, elas agora se encontrarem conscientes no inferno [e perguntarem perplexas para si mesmas: quem sou eu? de onde eu vim? o que estou fazendo aqui nesse lugar de tormentos?] Deixaria isso de ser monstruoso? Poderia isso glorificar alguém???
Nessa altura, eu sei o que o meu alter ego me diria: Todavia as pessoas não-eleitas estão apenas seguindo o curso de sua própria situação de pecado! Deus apenas não exerceu com elas a Sua misericórdia. Lembre-se, se justiça é dar aquilo que a pessoa merece, então há justiça da parte de Deus porque o salário do pecado é a morte. Se a pessoa é pecadora então, no ir para o inferno ela recebe apenas o que merece. Não há injustiça. Se misericórdia é dar a alguém aquilo que ela não merecia. Então, um eleito mereceria a morte eterna, mas Deus resolveu dar-lhe a vida eterna. Então Ele está sendo misericordioso com essa pessoa. Quem pode reprová-lo por ser misericordioso?
A única pergunta que poderíamos fazer é: por que Ele então não exerce misericórdia com todos e salva a todos? E a resposta seria: porque Ele não quer assim.
"Espera um pouco! Não estaria a sua compreensão da realidade equivocada", eu diria ao meu alter ego. "Não estaria a nossa compreensão das Escrituras errada?"
Entretanto, que importa? Todos vamos morrer mesmo um dia. Que importa se for hoje ou daqui há um, dez ou cem anos??? Afinal, Deus é espírito e não se intimida com o tempo... para Ele natural e sobrenatural é tudo a mesma coisa... O choro e o sofrimento do homem sobre a terra é sem sentido, é produto da ignorância do homem que é incapaz de ver as coisas do ponto-de-vista de Deus do ponto-de-vista da eternidade... Por isso, eles sofrem e choram seus mortos... Se os seus olhos estivessem vendo a eternidade eles não chorariam pelas mortes, pelos sofrimentos, pela dor, pelo mal... tudo isso seria desprezível diante da eternidade.
Todavia, se é assim, então por que Jesus, o homem mais esclarecido e perfeito que já andou debaixo do sol e sobre essa mesma terra na qual andamos nós, chorou??? Sim, por que Ele chorou diante do túmulo de Lázaro? Por que Ele chorou diante do cortejo fúnebre do filho da viúva de Naim??? Por que Ele chorou diante da dureza de Jerusalém? Por que Ele se revoltou diante da dureza do coração dos fariseus? Se tudo isso era passageiro e destituído de valor real, destituído de significado eterno, por que Ele se comportou assim???
Mas alguém pode perguntar: 'Como ressuscitam os mortos? Em que espécie de corpo virão? Insensato! O que você semeia não nasce a não ser que morra. Quando você semeia, não semeia o corpo que virá a ser, mas apenas uma simples semente, como de trigo ou de alguma outra coisa. Mas Deus lhe dá um corpo, como determinou, e a cada espécie de semente dá seu corpo apropriado. 1 Coríntios 15.35-44
Monday, December 27, 2004
Carpe diem!
P. Quais são as últimas quatro coisas a serem sempre lembradas?
R. As últimas quatro coisas a serem sempre lembradas são a Morte, o Juízo Final, o Inferno e o Paraíso.
(The Penny Catechism, citado em Memento Mori, Muriel Spark, p. 7.)Das profundezas sobe aos ouvidos o oco gemer,
Lembre-se - ó lembre-se de que vai morrer!
Lenro, o ecoante se põe a recrudescer
Em meus ouvidos: Lembre-se de que vai morrer!
E de muito longe, as Vozes a gritar e a coalescer
Bradam ó Mortal, lembre-se de que vai morrer!
(Citado em Memento Mori, Muriel Spark, p. 221).
É isso aí...
Thursday, December 23, 2004
Memento mori...
O bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento.
É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!
A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração.
O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o do tolo na casa da alegria.
Eclesiastes 7.1-4
A vida é curtíssima. Oitenta anos passa tão depressa. Eu ainda não cheguei lá e não sei se chegarei lá. Parece-me ainda uma idade muito avançada. Mas eu sei com que rapidez eu cheguei onde eu estou agora. Parece que não vivi ainda nada! Mas eu já estou a caminho há muito tempo. E no entanto, parece que o tempo voou rápido.
Ontem eu encontrei o N... na pista de caminhada. Ele tem apenas cinquenta e sete anos. Cheguei para cumprimentá-lo e ele me disse que fazia sessenta e dois dias que não vinha caminhar.
- "Estou voltando hoje", ele me disse. "Fui operado da próstata! Eu tive câncer na próstata. Os médicos descobriram vários nódulos, todos cancerosos, grau de malignidade 10. Eles me viraram do avesso à procura de metástases. Não encontraram nada. Examinaram tudo, exceto os ossos! Fiquei quinze dias com uma sonda na bexiga. A dor era intensa. Até pus eu urinei. Eles retiraram toda a próstata. Fiquei com continência urinária. Veja", ele me mostrou, "estou usando fraldão. Além disso, não tenho mais ereção."
-"Mas como foi isso?", eu perguntei.
- "Durante doze anos fiz os meus exames de próstata, com PSA e toque. Depois, sem saber porque, fui deixando... durante três anos. Comecei a perceber que o fluxo de urina estava variando, mas me acostumei com a mudança. Depois, um dia, não consegui urinar. Fui ao médico, estava com dores. Ele disse que eu estava com uma grande infecção. Tomei vários rémedios. A infecção passou mas a dor, não. Então fiz alguns exames e constatou-se a presença de vários nódulos. Eram cancerosos."
Hoje, de manhã, recebi a notícia que um outro amigo, o 'seu N...', cujo nome é apenas uma letra menor do que o outro N..., havia falecido durante a madrugada. Depois de mais de um ano de sofrimento, deitado numa cama, esperando a morte chegar. Qual era o seu caso? Há uns nove anos atrás ele descobriu que estava com câncer na próstata. Ele faleceu com oitenta e sete anos. Viveu bastante. Agora deve estar... deve estar... correndo pelos campos do Paraíso!
Memento mori. Carpe diem!
Wednesday, December 22, 2004
Mal-estar e bem-estar (1)
Uma das coisas que nos causa um mal-estar é o estado de náusea. Não me refiro à náusea como um fenômeno psicológico. Mas, náusea mesma que precede o vômito. É horrível. Bem pelo menos para mim. Todavia, os praticantes do vômito provocado depois de uma orgia de glutonaria, e até para poder começar novamente a comer, parecem não fazer caso disso. Mas essa ânsia de vômito provocada não é precedida de um mal-estar de quem vai vomitar quer queira quer não. Imagino o sofrimento de quem é submetido ao tratamento quimioterápico e que tem como uma das consequências as ânsias e os vômitos involuntários. Por que estou falando disso? Por que quero falar da sensação de mal-estar. Ou de estar mal. Ou ainda de experimentar um estado de existência momentâneo ou duradouro de sentir-se mal existindo. Não quero me ater apenas ao estado mental de mal-estar, mas e principalmente o estado físico de mal-estar.
A primeira coisa que me vem à mente é o fato de que, salvo nas raras exceções da psicopatologia, ninguém gosta de se sentir mal, de estar mal. Na realidade, lutamos a vida toda para alcançar o bem-estar. Nós somos a geração da busca compulsiva pelo bem-estar. Não toleramos o mal-estar. Outra forma de dizer isso é lembrar que buscamos ansiosamente o prazer. O prazer parece nos trazer uma sensação de estar vivo. Mas o sofrimento também não pode ser ignorado facilmente e também nos transmite uma sensação de estar vivo. Nenhum morto sente mais nada seja sofrimento e muito menos prazer. Se alguém for consultado para saber se prefere o mal-estar ou o bem-estar que lhe transmita a sensação de estar vivo, naturalmente haveria de preferir a segunda opção.
Bem, e daí? O que é que eu estou querendo dizer? A não ser que seja normal, por causa da PVC*, o mal estar parece aumentar com a idade. Ou, pelo menos, eu pareço estar mais consciente de períodos em que experimento um mal-estar agora, que sou mais velho. Mas o meu mal-estar não é simples náusea que antecedo o vômito. Na verdade, há uma pequena componente nauseabunda... Todavia, o mais daquilo que experimento nesses momentos é indescritível. Eu tento apreender o fenômeno para descrevê-lo mas vejo que sua subjetividade é imensa e as palavras não parecem encaixar-se de maneira a fazer um quadro narrativo inteligível. Eu sei, por exemplo, que está relacionado com a parte superior do meu tórax. Mais particularmente, com o coração e suas adjacências. Às vezes, parece apresentar-se como uma fraqueza imensa como se a vida fosse me faltar ou algo assim. Eu já relatei inúmeras vezes esse estado para o meu cardiologista. Agora, nem mesmo me acho motivado a relatar novamente o quadro. Um pedaço do meu diário talvez mostre como me sinto com relação ao fenômeno:
Da maneira como está descrito acima você deve estar pensando que eu sou um hipocondríaco. Ou seja, alguém que tem doenças imaginárias. Alguém que inventa sintomas. Bem, pode até mesmo ser essa a realidade. Mas há um quadro complicado por trás. Faz mais ou menos um ano, eu estava no mesmo Dr. C... fazendo um teste de esteira quando ele me pediu para parar o teste. Ele me perguntou: " o que foi que você sentiu?" Eu lhe respondi: "Nada! Por que você parou o teste?" Ele então me explicou que percebeu uma alteração na resposta elétrica do coração. Depois discutimos que tipo de exame eu deveria fazer para verificar a suspeita. Resumindo: eu optei pelo cateterismo. [Numa outra oportunidade eu conto como foi que me senti nesse cateterismo.] O resultado do cateterismo foi a descoberta de uma obstrução excêntrica, variando de 50 a 70%, no terço inferior da coronária esquerda. Pelo protocolo que o Dr. C... está seguindo eu estou sob medicação: tomo um comprimido de Líptor 10 mg por dia [eu já vinha fazendo isso antes de saber da obstrução], tomo um comprimido de Concor 2,5 mg por dia e tomo também um comprimido de 100 mg de AAS, por dia. Se a obstrução piorar pode ser que eu tenha necessidade de angioplastia com colocação de stent. O Dr. C... disse que os resultados da colocação de stent não são 100% seguros. De fato, eu conheço uma pessoa de idade e diabética que colocou o stent e faleceu de infarto um mês depois... Mas, cada caso é um caso...[...] Na verdade, marquei minha consulta de rotina para no meu cardiologista para segunda-feira passada. Engraçado. Eu estava me sentindo muito mal antes de marcar a consulta. Depois que marquei, fui me sentindo cada vez melhor. No dia da consulta eu já tinha me arrependido de ter marcado a consulta. Todavia, eu fui à consulta. Só que eu não disse nada sobre a minha situação ao Dr. C... Ele chegou a me repreender e disse-me: "Lancel, não me enrola..." Mas, mesmo assim eu o enrolei! [Como é que eu ia dizer-lhe que, no momento estava me sentindo muito bem, porém que antes de marcar a consulta estava me sentindo mal, especialmente quando me deitava para dormir e durante a noite, quando acordava? Eu tinha muitas extra-sístoles quando deitava para dormir. Eu me sentia incomodado no tórax, no peito, quando me sentava durante o dia. Aí ficava pensando que talvez fosse um problema postural, já que passo boa parte do dia digitando diante do computador... Às vezes pensava que era algum problema de estômago ou gases. Minha mulher dizia-me que era alguma disfunção hormonal, algo assim como andropausa... Outras vezes dizia-me que era puramente psicológico... Com o tempo, essa confusão me fazia ter nôjo de falar sobre o assunto... Todavia, o mal-estar aparecia todos os dias, às vezes muito presente...] Depois o Dr. C... marcou exames de sangue e esteira... Entretanto, ó mistério, foi só sair do consultório e já comecei a me sentir incomodado. Ontem à noite, quase não consegui dormir. Todo o mal-estar que eu sinto está relacionado com o coração, o peito, um incômodo postural, um "pêso"... E o pior é quando me deito para dormir. Aí aparecem as extra-sístoles, as salvas de extra-sístoles, o batimento "pesado" e aquela sensação estranha , como se meu coração já não tivesse mais força para funcionar...
Concluindo, por enquanto, eu gostaria de saber se existe um médico, talvez alguém que pratique uma verdadeira medicina integral [não usei o termo 'holística' por causa de sua conotação mística e alternativa] e que me pudesse ver como um todo no tempo e no espaço. Esse médico poderia ajudar-me a ver qual é o meu problema e por que tenho experimentado esse mal-estar.
Bem, é isso que vai nos meus neurônios no momento.
T+.
* Segundo um conhecido meu, PVC quer dizer 'Porcaria da Velhice Chegando'. Em tempo: ele já está bem envelhecido.
Saturday, December 18, 2004
As contradições da vida religiosa...
Nesse texto me parece que Jesus está fazendo justamente o que Larry Crabb tem medo de fazer: despertar esperança! O contexto é o Sermão do Monte. Pedir, buscar e bater são metáforas para a oração. Pedir, buscar e bater para conseguir o quê? Pão e peixe, ou seja, alimento para matar a fome. Se alguém pede pão e peixe é porque está com fome, ou não é? Mas será que ele está se referindo apenas aquilo que é absolutamente fundamental? Acho que não! Ele fala sobre "dar boas coisas". Ora, "boas coisas" indicam uma gama maior de possibilidade do que aquilo que é estritamente o necessário para a subsistência, ou estou eu errado? Além disso, é de se esperar que os homens, que são maus, dão boas coisas aos seus filhos, talvez não cheguem a se destacar nessa capacidade... Mas, o que dizer de Deus que é bom... ele nos excederá, sem dúvida, nessa atividade de nos dar boas coisas...Peçam, e lhes será dado; busquem e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.
Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas. (Mateus 7.7-12)
E então? Vamos pedir? - "Ah, mas... e se ele não nos conceder o que pedimos? Acho melhor não arriscar. Prefiro não pedir nada..."
Parece falta de fé, mas veja outros textos de Jesus:
E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que vê em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. (Mateus 6.5-8)Que coisa mais estúpida querer 'se mostrar' em relação à religião! Parecer ser 'mais santo', melhor do que os outros... mais religioso. Uma estupidez horizontalizada! Imagine Deus olhando para você 'se achando' diante de outros religiosos?? Pois é, mas tem gente que quer 'parecer' que é religioso ao invés de ser verdadeiramente religioso. Eles encenam, são artistas, não vivem, fazem de conta... A outra coisa estúpida é achar que repetindo infindavelmente a mesma coisa fará com que a divindade finalmente o atenda! Não se pode controlar uma divindade! Ela nem mesmo precisa 'ser informada' da sua necessidade como se ela não soubesse! Mas que estupidez essa do homem. Deus sabe todas as coisas. Mas... então, para que orar? E... espera aí, no texto anterior ele não diz que devemos pedir, buscar e bater? Veja agora este outro texto:
E agora? Como ficamos? É para insistir ou não? O homem que recebeu uma visita não vai parar de importunar. E seu vizinho, sabendo disso, acaba por lhe dar o de que precisa. "Mas, como? Não podemos 'dobrar' Deus pela insistência! Não é pelo muito falar que uma pessoa é atendida (ouvida) pela divindade (veja o texto anterior)." Como reconciliar esses textos aparentemente contraditórios??? E não é só aqui que se fala de persistência. Veja a "Parábola da Viúva Persistente", em Lucas 18.10-14. Jesus contou aquela parábola "para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar". E terminou a parábola dizendo: "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" Além disso, vejam o estranho encontro de Jesus com a mulher cananéia, em Mateus 15.21-28. Ele procurou fazê-la desistir de seu pedido o tempo todo. A mulher insistiu. Ele até chegou a dizer-lhe que não tinha tempo a perder com os cachorrinhos, mas apenas com os filhos de Israel. Ele continuou a insistir. Então Jesus se admirou daquela fé que se revelava em persistência: "Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja!".Então lhes disse: "Suponham que um de vocês tenha um amigo e que recorra a ele à meia-noite e diga: 'Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem, e não tenho nada para lhe oferecer'."
"E o que estiver dentro responda: 'Não me incomode. A porta já está fechada, e eu e meus filhos já estamos deitados. Não posso me levantar elh dar o que me pede'. Eu lhes digo: Embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que precisar."
"Por isso lhes digo: Peçam, elhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta." (Lucas 11.5-10)
Agora vem o Larry Crabb, manifestando medo de orar, porque tem medo de se aproximar de Deus com esperança e ficar frustrado! Afinal de contas, qual é a verdade? Devemos insistir ou devemos 'nos virar' por nós mesmos aqui na terra? Podemos esperar em Deus para as coisas práticas da vida? Ou devemos apenas nos contentar com a nossa salvação espiritual? Deus é um Deus só para depois da morte ou é um Deus para hoje e agora?
Eu tenho muita pena do meu alter ego. Ele se sente muito confuso com essas aparentes contradições da vida religiosa! Ele até deixou de pedir, de buscar e de bater. Hoje ele pensa que não é preciso importunar a Deus. Que Ele é soberano e não vai ser mudado por nenhum mísero mortal. Além disso, que necessidade há de informar a Deus sobre as nossas necessidades? Ele já sabe tudo! Então se Ele quiser dar alguma coisa Ele o fará. Não há necessidade de Lhe pedirmos coisa alguma. E, pensando assim, o meu alter ego segue procurando resolver por si mesmo os seus problemas. De vez em quando ele lê esses textos e sente uma nostalgia do tempo em que ele cria que devia orar e pedir tudo que precisasse a Deus. Parece que naquele tempo ele era mais feliz.
Até outra oportunidade.
Sunday, December 12, 2004
A angústia da morte prevista...
Por que estou falando sobre isso? Bem, me reporto a outra reflexão que aqui deixei a propósito da execução pública dos reféns iraquianos. Dê uma lida. Talvez eu não soubesse com tanta maestria descrever o tormento da alma daquele que seria executado nos próximos segundos, sem possibilidade de apelação. Certamente Dostoiévski é muito mais hábil do que eu para descrever essa angústia de alma. Acompanhe...
- Não. Em França eles cortam fora as cabeças.
- Gritam?
- Como poderiam? Aquilo é feito em um instante. Fazem o homem ficar deitado e então uma grande faca desce, pelo próprio peso. Uma máquina poderosa, chamada guilhotina. A cabeça pula fora antes que a pessoa pisque! Os preparativos são horríveis. Mal acabam de ler a sentença, aprontam o homem, atam-no, levam-no para o cadafalso - e isso é que é terrível! Juntam-se multidões, até mulheres, embora não gostem que as mulheres assistam.
- Não é coisa para elas!
- Naturalmente que não. Naturalmente. Uma coisa assim, tão hedionda! O criminoso era um homem inteligente, de meia-idade, forte, corajoso, chamado Legros. Mas lhe garanto que quando subiu para o cadafalso estava chorando, e mais branco do que uma folha de papel. Não é incrível? Não é hediondo? Quem pode chorar de medo? Nunca me passou pela cabeça que um homem já feito, não uma criança, mas um homem que nunca chorou, um nome de quarenta e cinco anos, pudesse chorar de medo! O que não deve estar se passando na sua alma, nesse momento!? A que angústia não deve estar ela sendo levada!? É um ultraje para uma alma, eis o que é! Está escrito: "Não matarás!" E então, porque ele matou, o matam? Não. Isso está errado! Já faz um mês que assisti a isso, mas me parece estar ainda vendo com os meus olhos. Já tenho sonhado uma meia dúzia de vezes. [...]
-Ainda é uma boa coisa que, pelo menos, não haja muito sofrimento quano a cabeça cai.
- Quer saber de uma coisa? O senhor fez justamente uma observação que já ouvi de muitas outras pessoas - prosseguiu o príncipe, acalorando-se - e a guilhotina foi inventada com esse fim. Mas, naquela ocasiã, me ocorreu o pensamento de que talvez isso fosse pior. Pode lhe parecer absurda e bárbara esta minha idéia, mas, quando se tem imaginação, se chega, como eu, a supor isso. Pense! Se houvesse tortura, se, por exemplo, houvesse sofrimento, um ferimento que desse agonia corporal, e tudo o mais, isso pelo menos distrairia o espírito, desviando-o do sofrimento moral, de maneira que só se seria torturado pela dor física até que se morresse. Mas a principal e pior pena não está no sofrimento corporal e sim em se saber com segurança matemática que, em uma hora, depois em dez minutos, a seguir em meio minuto, e, depois, já, bem agora mesmo, neste segundo a alma deve deixar o corpo, e se vai cessar de ser homem; e que isso tem de acontecer!... O pior de tudo isso está em que é certo. Quando o senhor deita a sua cabeça lá, debaixo da lâmina, e a ouve escorregar vindo para a sua cabeça, este quarto de segundo é o mais terrível de todos. O senhor note que isso não é imaginação da minha parte. Muita gente tem dito o mesmo. Vamos a ver se consigo lhe dizer cabalmente o que sinto. Matar, por coaus de um assassinato, é uma punição incomparavelmente pior do que o próprio crime cometido. O assassinato por sentença judicial é incomensuravelmente pior do que o assassinato cometido por bandidos. Quem quer que seja assassinado por bandidos, e, cuja garganta tenha sido cortada, em um bosque, à noite, ou qualquer coisa assim, naturalmente que espera escapar, até o último momento. Tem havido casos de uma pessoa ainda esperar escapar, correndo, ou suplicando misericórdia, e já depois da garganta ter sido cortada! Mas no outro caso, a que nos estamos referindo, toda esta última esperança, que faz morrer dez vezes, como é fácil compreender, está suprimida, poi s se sabe que é certo. Há uma sentença; e toda a medonha tortura jaz no fato de que não há, certamente meios de escapar. E não há, no mundo, tortura maior do que esta. Podem-se comandar soldados, mandar que um deles se coloque diante de um canhão, em batalha, e ele saber que vão dispará-lo sobre ele: ainda assim terá uma esperança. Mas leia o senhor uma dada sentença de morte a esse mesmo soldado ele ou enlouquecerá, ou cairá em lágrimas. Quem já afirmou que a natureza está capacitada para suportar isso, sem loucura? Para que e por que essa revoltante, inútil e desnecessária atrocidade? Talvez, por aí, haja algum homem que já tenha sido exposto a tal tortura e a quem tenha sido dito: "Vai-te embora. Estás perdoado!" Tal homem, decerto, nos pode dizer que foi dessa tortura e dessa agonia que Cristo falou, também. Não, não se pode tratar assim uma criatura humana! (extraído de O Idiota, Dostoiévski, Editora Martin Claret)
Aí está. Julgue você mesmo a tortura por que tem passado cada um dos reféns executados friamente pelos terroristas iraquianos! Eu já assisti uma execução pela internet e posso dizer que o padrão é bem esse que Dostoiévski descreve. E qual é o crime deles? Muitas vezes é estar exercendo tarefas humanitárias para os próprios iraquianos!
Quanto às opiniões de Dostoiévski sobre a pena de morte, eu penso diferente para aqueles crimes bárbaros perpetrados friamente por bandidos sem consideração. Mas, isso já outro assunto.
Pense nisso!
Thursday, December 9, 2004
Quando o pecado acabar...
Hoje eu pensei o seguinte: esse mundo em que nós vivemos está organizado ao redor do pecado. Tudo funciona em relação ao pecado e suas consequências. Quando Deus criou o homem ele era perfeito. A natureza, o cosmos era perfeito. Não havia dor, não havia doença, não havia morte, não havia envelhecimento, não havia estupro, não havia fome, não havia escravidão, não havia exploração do homem pelo homem. Mas, então veio a Queda. E a Criação foi maculada. Manchada. Amaldiçoada. E o homem foi expulso do Éden...
Agora o pecado penetrara no homem e trouxera com ele a morte. O homem sofria agora da maldição do pecado. Morte, dor, medo, angústia, fome, exploração, lascívia, violência... Então o homem, debaixo da Graça Comum de Deus, desenvolveu o remédio e a cirurgia. Desenvolveu os hospitais e as clínicas. Estabeleceu o Estado e criou a polícia. Criou o avião, o navio e o submarino. Criou exércitos e desenvolveu os serviços secretos. Criou as grandes empresas para elaborar os bens de consumo.
Você vê... tudo o que existe e que o homem cria é para suavizar os efeitos do pecado. E é uma bênção que Deus lhe dê a capacidade para mitigar a maldição do pecado. Mas o que acontecerá quando o pecado for finalmente banido da face da terra... O que acontecerá quando vierem o novo céu e a nova terra? Quando não existir o pecado então tudo o que foi criado e desenvolvido por causa do pecado não mais terá serventia. Tudo o que existia em função do pecado deverá ser extinto... Ou não será assim?
Monday, November 29, 2004
O Enigma do ser homem...
Tu os inundas com sono, eles são como a erva que brota de manhã: de manhã
ela germina e brota, de tarde ela murcha e seca.
Sim, somos consumidos, por tua ira, ficamos transtornados com teu furor.
Colocastes nossas faltas à tua frente, nossos segredos sob a luz da tua face.
Nossos dias todos passam sob a tua cólera, como um suspiro cosumimos nossos
anos. Setenta anos é o tempo da nossa vida, oitenta anos, se ela for vigorosa; e
a mairo parte deles é fadiga e mesquinhez, pois passam depressa, e nós voamos.
Quem conhece a força da tua ira, e temendo-te, conhece o teu furor?
Ensina-nos a contar nossos dias, para que tenhamos coração sábio!
Salmo 90.5-12.
Encontrei o video clip Return to Innocence na Internet. Depois fui buscar a letra da música. Fantástico! Primeiro vemos um velhinho, talvez uns 80 anos, debaixo de uma árvore cujas frutas são parecidas com a pera. Há muitas frutas caídas no chão. O velhinho abaixa-se e pega uma delas para comer. Depois olha para cima e vê as outras frutas ainda penduradas no pé. Então ele fecha os olhos como se a recordar. Deita-se no chão entre as frutas de olhos fechados. Rosto encovado, parece um cadáver. Então acontece! As frutas que estão caídas começam a voltar para os seus galhos enquanto uma música começa a lamentar no fundo. O clipe todo é de frente para trás, voltando no tempo. É como se o velhinho estivesse fazendo uma viagem no tempo. Em direção do começo. Um retorno a si mesmo, como diz a letra. Amor, devoção, sentimentos e emoções. Tudo é retratado de frente para trás na grande caminhada rumo a si mesmo.
Não tema ser fraco.
Não seja tão orgulhoso de ser forte.
Apenas olhe para dentro do seu coração, meu amigo.
Isto será um retorno a você mesmo.
Um retorno à inocência.
Lembro-me que o Livro Antigo diz que é do coração que procedem as fontes da vida. Lembro que ele diz que é do coração que procedem também as loucuras da vida. Lembro-me também que o Livro Antigo diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem.
Mas o homem é tão frágil, é tão passageiro, tão momentâneo.... o que são apenas setenta ou oitenta anos? A vida é como um sono. Você se deita e, de repente, você acorda. Quanto tempo se passou? Nossa! Foi tão rápido. Quem é esse velho no espelho? Sou eu?? Mas, por dentro, eu não sou tão velho assim!?!? Como é que passou tão rápido?
O clipe termina exatamente na pia bastismal onde o velhinho agora é uma criança que chora enquanto a água escorre de sua pequenina cabeça. Sim, uma indefesa criança... uma criança inocente. Inocente não porque não tenha pecado, mas porque nada sabe ainda da vida que está diante dela. Ela não se preocupa com nada. Ela espera tudo. Ela depende de todos à sua volta. É pequenina, indefesa e dependente.
'Ah, inocente criança, sabes tu quanto amor e desamor, quanta devoção e
afastamento, quanto sentimento e emoções, tua vida te reserva?? Sabes tu? Não,
nada sabes tu! E essa inocência, de nada saber é justamente o que te protege de enlouquecer!'
A vida não é um video clipe. Não dá para fazer edições. Só se vive uma vez. Portanto:
Se você deseja, então comece a rir. Se você precisa, então comece a chorar. Seja você mesmo, não se esconda. Apenas creia no destino [suas próprias escolhas]. Não se preocupe com o que as pessoas dizem. Apenas siga o seu próprio caminho [diante de Deus]. Não desista e use a oportunidade [escolha].Para retornar à inocência.
Deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele. JESUS CRISTO.
Eis o ENIGMA LYRICS de Return to Innocence:
That's not the beginning of the end
That's the return to yourself
The return to innocence
Love - Devotion
Feeling - Emotion
Love - Devotion
Feeling - Emotion
Don't be afraid to be weak
Don't be too proud to be strong
Just look into your heart my friend
Tha will be the return to yourself
The return to innocence
If you want, then start to laugh
If you must, then start to cry
Be yourself don't hide
Just believe in destiny
Don't care what people say
Just follow your own way
Don't give up and use the chance
To return to innocence
That's not the beginning of the end
That's the return to yourself
The return to innocence
Don't care what people say
Follow just your own way
Follow just your own way
Don't give up, don't give up
To return, to return to innocence.
If you want then laugh
If you must then cry
Be yourself don't hide
Just believe in destiny.
Bye...
Sunday, November 28, 2004
You only live once...
Há coisas em demasia que gostaríamos de fazer. Há mulheres demais que gostaríamos de amar, de nos relacionar... Há países tantos onde gostaríamos de morar, de estar. Há livros, muitos, que gostaríamos de ter escrito... Mas nós só vivemos uma vez...
Gostaríamos de estar espalhados no tempo e no espaço vivendo todas as vidas que pudéssemos ao mesmo tempo desfrutar. Há essa coisa de uma vida só não parecer ser o suficiente para experimentar o que é ser humano... o que é estar na vida... o que é viver. Mas só se vive uma vez...
Ah... como dói viver apenas aqui e agora... e apenas uma vez...
Saturday, November 27, 2004
Contrastes...
A criança vem ao mundo com um nome, uma família, um mundo de diversões ao seuBuscar uma fórmula conciliatória entre o corporal e o simbólico... inutilmente. O crescimento como repressão daquilo que aflora nos nossos sonhos. Triste solidão do homem em si mesmo. Veja agora a visão teísta do homem, muito mais otimista, muito mais significativa...
redor, tudo nitidamente talhado para ela. Mas as suas entranhas estão cheias de
recordações horripilantes de batalhas impossíveis, aterradoras angústias
envolvendo sangue, dor, solidão, escuridão; misturadas com desejos ilimitados,
sensações de indizível beleza, majestade, espanto, mistério; e fantasias e
alucinações de misturas entre os dois componentes, corpo e símbolos, tentando
inutilmente uma fórmula conciliatória entre o corporal e o simbólico... e a
sexualidade penetra com o seu foco muito definido, para confundir e complicar
ainda mais o mundo da criança. Crescer é esconder a massa de tecido cicatricial
interno que lateja em nossos sonhos.
Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 42
Não mais o ser sozinho diante de si mesmo, mas o ser diante do Deus que o criou e o mantém vivo. É o ser diante de um Deus que se interessa por ele.[SENHOR] Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha
mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são
maravilhosas! Digo isso com convicção.
Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e
entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim
foram escritos no teu livro antes de qualqer deles
existir
Salmo 139.13-16
T+.
Thursday, November 25, 2004
O blog invisível...
Busquei ajuda do pessoal do blogger.com. Não adiantou nada. Acabei fazendo uma pesquisa no Google: 'Why I can´t find my blog as a searcher's result?" Então, fiquei sabendo das aranhazinhas que percorrem meticulosamente a Web, são os robots que buscam informações para colocar na base de dados dos searchers. Até me cadastrei no Google. Todavia até agora, nada, nada, nada...
Mesmo essa reclamação não vai ser lida por ninguém...
Me lembrei daquela história do 'Paulinho sozinho no mundo...'
Alguém sabe como me tornar visível? Ops... mas quem me ouvirá?
Bye.
Monday, November 22, 2004
Vivendo anestesiado...
Becker afirma que "existem muitas maneiras pelas quais a repressão atua para acalmar o angustiado animal humano, a fim de que ele não precise ter o mínimo de angústia". Mas assim ele segue como que anestesiado, sem se dar conta do porque ele faz o que faz.Em épocas assim, quando desponta aquela percepção que sempre foi eclipsada por
alguma atividade frenética disponível no momento, vemos a transmutação da
repressão redestilada, por assim dizer, e o medo da morte surge em pura
essência. É por isso que as pessoas têm surtos psicóticos quando a repressão já
não funciona mais, quando a descarga de tensões através da atividade já não é
mais possível. Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 36.
As pessoas podem negar o quanto quiserem o medo da morte, contudo, ele está lá, em baixo da pele. Alíás, basta fazer um teste psicológico com medições das reações galvânicas da pele. Como dizem os psicólogos: "por baixo do mais sereno exterior esconde-se a ansiedade universal, o 'verme no âmago'".
Pessoalmente, além de uma infância conturbada e perturbada pelo medo da morte de minha mãe, manifestado em crises de 'pânico', quando ainda nem se falava disso, eu mesmo já passei por várias experiência onde pude ver um pedacinho daquele verme lá dentro, mas fiz de conta que não vi. Chegou um dia, todavia, em que não pude mais escondê-lo convenientemente lá dentro. Ele aflorou em toda sua feiúra.
Eu tinha basicamente três ocupações, uma das quais, acontecia numa cidade vizinha que ficava mais ou menos a três horas de carro da minha cidade de moradia. Num final de semana, depois de um dia duro de ministração de aulas, comecei a sentir uma dor de cabeça e algum descompasso no coração. Muito incomodado com a situação pedi a um colega que me levasse num hospital para ver o que estava acontecendo. Lá o plantonista constatou que minha pressão estava anormalmente elevada. Medicado para baixar a pressão voltei para o alojamento. No entanto, a dor de cabeça piorou e parecia que eu ia morrer. Voltei ao pronto socorro. Desta vez deram-me uma injeção com um tranquilizante e glicose para dor de cabeça. Fiquei imprestável o resto do dia. No outro dia voltei sonolento no banco de trás do carro em que íamos todo final de semana trabalhar. A partir dessa primeira crise comecei a experimentar muitas coisas que estavam entranhadas em mim mesmo. Levei quase seis meses para sair de uma crise de depressão onde o mundo se tornou cinzento para mim. Além disso, muitas vezes experimentava ondas de puro terror do nada. O medo era encarnado. Eu podia senti-lo em cada fibra dos músculos. Vinha como ondas que se alternavam. Tive outra crise grande cinco anos depois. Finalmente, arranjei uma forma de superar o problema. Noutra oportunidade quero falar um pouco mais sobre isso.
Por enquanto, é isso!
Sunday, November 21, 2004
O farmacêutico e o trem...
Os temores do homem são formados com base nas maneiras pelas quais ele
percebe o mundo. Ora, o que é que há de peculiar com relação à percepção que a
criança tem do mundo? Em primeiro lugar, a extrema confusão das relações de
causa e efeito; em segundo, a extrema irrealidade quanto aos limites de seus
próprios poderes.Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 31
Saturday, November 20, 2004
O homem moderno e o medo da morte...
Não há dúvida de que os primitivos celebram, com frequência, a morte - como Hocart e outros demonstraram - porque acreditam que a morte é a promoção suprema, a última elevação ritual para uma forma de vida superior, para o desfrute da eternidade de alguma forma. A maioria dos ocidentais modernos tem dificuldade em acreditar nisso, o que faz com que o medo da morte tenha um papel muito destacado em nossa configuração psicológica.Que a maioria dos ocidentais modernos tem dificuldade em acreditar que a morte é a promoção suprema para uma vida superior não pode ser surpresa para ninguém mais, veja uma notícia colhida no MSN Notícia que diz o seguinte:
Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 9.
"Passamos de uma cultura cristã para um secularismo radical com características de intolerância", disse o cardeal [Ratzinger] ao jornal La Republica, em entrevista publicada na sexta-feira.
"(Deus) está muito marginalizado. Na esfera política parece quase indecente falar sobre Deus, quase como se fosse um ataque à liberdade daqueles que não acreditam", afirmou Ratzinger na entrevista.
Dessa forma, não é de duvidar que os primitivos, sob um certo aspecto, o do medo da morte, eram superiores aos homens modernos... Isso fica muito claro também se considerarmos que na constituição do homem, segundo a Bíblia, Deus colocou nele o desejo pela eternidade:
Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.
Eclesiastes, 3.11
Assim, quando o homem ignora algo que é essencial dentro dele, utilizando o mecanismo da repressão consciente, obviamente a natureza do homem reage e manifesta aquilo que foi reprimido de uma outra forma: no medo da morte.
Becker comenta que devido ao fato de, "no fundo do coração, o indivíduo não acha que ele vai morrer, apenas sente pena daquele que está ao seu lado", numa guerra uma pessoa continua avançando até que é finalmente derrubada por um tiro fatal. Então ele apresenta a explicação freudiana para o fato:
[...] o inconsciente não conhece a morte ou o tempo: nos seus recessos orgânicos fisioquímicos mais íntimos, o homem se sente imortal.
Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 16.
Não é interessante que Freud venha a encontrar a eternidade no coração do homem, como afirma a Bíblia acima?
Eu não queria aqui prolongar muito essa pequena e humilde reflexão de um homem ainda cheio de incertezas, mas não resisto e cito mais um pensamento de Becker a propósito da arrogância do homem moderno em querer calar uma voz que proclama e defende sua religiosidade, demonstrando intolerância a qual nós não podemos tolerar:
Quando Norman O. Brown disse que a sociedade ocidental, mesmo a partir de Newton, por mais científica ou secular que alegue ser, ainda é tão 'religiosa' quanto qualquer outra, eis o que ele queria dizer: a sociedade 'civilizada' é uma esperançosa crença e protesto de que a ciência, o dinheiro e os bens façam com que o homem valha mais do que qualquer outro animal. Nesse sentido, tudo aquilo que o homem faz é religioso e heróico e, no entanto, corre o perigo de ser fictício e falível.
Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 18.
Agora, apenas 'acreditar' que o homem é imortal, não basta. Nós 'acreditamos' em muitas coisas, mas não colocamos a nossa confiança nelas. Talvez fosse melhor usar a palavra que os cristãos gostam muito de usar: FÉ! Sim, porque fé é uma convicção inabalável, uma certeza profunda, capaz de dar sustentação para o indivíduo na hora da aflição, na hora da provação, na hora do desespero... Como diz a Bíblia até os demônios acreditam que Deus é um só, mas o que vale isso para eles? Eles jamais confiariam suas vidas a Deus...
Pense nisso...
T+
Wednesday, November 17, 2004
O medo da morte...
[...] a idéia da morte, o medo que ela
inspira, persegue o animal humano como nenhuma outra coisa; é uma das molas
mestras da atividade humana - atividade destinada, em sua maior parte, a evitar
a fatalidade da morte, vencê-la mediante a negação, de alguma maneira, de que
ela seja o destino final do homem.Ernest Becker, A Negação da
Morte.
[...] todos os anos, não, todas as
luas, criamos novos credos para descrever mistérios invisíveis. Arrependemo-nos
do que fazemos, defendemos aqueles que se arrependem, anatemizamos aqueles que antes defendíamos. Condenamos as doutrinas dos outros em nós mesmos ou as nossas nas dos outros; e, retalhando-nos mutuamente uns aos outros, causamos a ruína de todos.Citado por Joan O'Grady, em
Heresia
Monday, November 15, 2004
Eu e meu alter ego...
Eu sempre estive no controle. Mas, quando eu tinha uns vinte e cinco anos eu fui invadido por uma luz puríssima! Eu digo que fui invadido, porque eu não pedi para ela entrar. Ela entrou por decisão única e exclusiva dela. Naquele dia eu morri! Morri... pero, no mucho. Eu me explico. Teorica e juridicamente eu fui destruido. Todavia, aproveitei-me do desconhecimento e da fragilidade desse alter ego que foi gerado em mim, e me mantenho vivo... apenas na nossa memória compartilhada. É estranho. Agora compartilhamos o mesmo corpo, a mesma psiquê. Não, não é um caso de multiplas personalidades. Nem é o caso de split de psiquismo. É muito mais complicado do que isso. Outro dia vou aprofundar a questão...
Obviamente, as pessoas que convivem conosco não percebem que vivemos nessa simbiose. Sim, é uma espécie de simbiose antagonística, cada um de nós satisfaz suas necessidades provocando danos ao outro. É uma associação parasitária. Pelo menos, da minha parte. E o pior é que eu me tornei parasita de mim mesmo...
Às vezes eu o vejo [esse meu alter ego] desesperar-se quando ele percebe que eu estou no comando... E a mim, me irrita muito quando ele assume o controle de maneira firme. A luz que está com ele é poderosíssima. Eu quase me anulo definitivamente quando ele age baseado nela. É terrível. A minha sorte é que ele ainda não percebeu o quanto essa parceria é eficaz...
Mas, eu sei que os meus dias estão contados. É uma questão de tempo... Isso mesmo, é uma questão de estar debaixo desse poder temporal. Quando o eterno invadir definitivamente o temporal, eu deixo de existir.
Mas eu queria falar do medo. É do medo da morte. Talvez seja esse um dos aspectos mais profundos de eu estar escrevendo aqui. Mas, por hoje chega. Vou descansar.
Até breve.
Sunday, November 14, 2004
Recordações...
Thursday, November 11, 2004
Bach, Gounod e Schubert
Essa teia é fantástica. Basta você ter uma dúvida e um bom searcher e... pronto!
Para não ir muito longe, há uma composição de Ave Maria conhecida como sendo de autoria de Bach-Gounod. Pelo que eu entendi a melodia original é de Bach. Gounod, posteriormente, fez uma adaptação, no século 19. A música original de Bach é o primeiro prelúdio de Cravo Bem Temperado. É uma música bastante utilizada em cerimônias de casamento. Veja uma boa interpretação em midi http://www.schwicky.net/multimedia/midis/avemaria.mid . Eis uma outra bonita também http://www.fortunecity.com/tinpan/eno/677/Bach-AveM.mid.
Mas acho mesmo que era Ave Maria de Schubert como esta http://www.whereintheworld.net/Midi/Schubert_Ave_Maria.mid.
É isso.
Bye.
Wednesday, November 10, 2004
Continuando...
Hoje, sem que me desse conta, a melodia achava-se em background na minha mente. De repente, eu a pude perceber... Imediatamente, aquele menino pequenino, sujo de terra, surgiu novamente na minha mente... ele estava lá ouvindo a música também... Ele olhava na direção da casa de onde surgiam as notas da conhecida melodia.
Como e por que a melodia começou a tocar em minha mente? Não sei. Eu estava conversando com minha esposa. Alguma coisa sobre a qual falávamos disparou os neurônios que guardavam o enderêço desta lembrança/experiência.
Juntamente com a lembrança, vieram os sentimentos e o estado de espírito associados daquele menino... Ora, este tipo de experiência é algo que só eu mesmo posso sentir. Não há como transmitir essas sensações para outro ego, ainda que eu fosse o mago das palavras... Este é um mundo somente meu... assim como você tem o seu e eu nunca vou conhecê-lo exatamente.
Bem, deixe-me trabalhar em algo diferente agora.
T+.
Para aliviar a consciência...
Não sei porque, hoje, de repente, me dei conta da melodia de Ave Maria no meu interior... Será que era de Gounod ou de Schubert? Acho que eram as duas. Pode-se ouvir ambas em http://ingeb.org/spiritua/avemarba.mid e em http://ingeb.org/spiritua/avemarsc.mid experimente... Eu queria falar um pouco destas recordações que nos colocam lá no centro da nossa infância... Queria falar também do fato de sermos totalmente estranhos uns aos outros. Ou melhor, de possuirmos recordações que são só nossas e que outras pessoas jamais poderão experimentá-las do modo como as experimentamos... É uma espécie de solipsismo... Nasci católico e vivi até a minha adolescência no catolicismo... Mas agora não dá para falar sobre isso, tenho que sair.
Até mais...
Thursday, November 4, 2004
Era para ser um prólogo...
um segundo eu; substituto perfeito; b) grande amigo, pessoa em quem se pode confiar tanto quanto em si mesmo; e c) outro aspecto do próprio ego.
Esse meu sítio era para ser um lugar onde um segundo eu meu se manifestaria revelando um pouco do outro aspecto do meu próprio ego. Aqui eu ousaria colocar alguns pensamentos mais profundos, e por isso velados, que povoam os meus neurônios mais estranhos... Eu digo, era para ser, pois não sei bem como eu me comportarei ao procurar refúgio bem debaixo do spot do palco da grande teia. [Quem sabe não é puro desejo de me exibir por dentro o que me motiva?] Pois é, eu quero examinar isso também.
Mas, eu resolvi dar uma passeada pela teia para ver o que havia de alter ego nela. Fiquei impressionado. São 1.010.000 referências a alter ego na web! Tem de tudo! Grande parte dessas referências são de sítios com o mesmo nome... há bandas, softwares, livros, jogos, estúdio de música, etc..
Escolhi dois sítios interessantes. Quem sabe você vai querer dar uma olhadinha.
O primeiro está no endereço http://www.theblackforge.net/#. Começa com um Bem vindo ao alter ego! e continua perguntando algo assim: "Você já se perguntou como poderia ter sido sua vida se as coisas fossem um pouquinho diferente?" E então somos apresentados a um game (é... um jogo!) online que permite simular um outro eu para você. As cenas que o jogo usa foram escritas por Peter Favaro, PhD, e o programa por Dan Fabulich. Vá ver. Vale a pena. Eu experimentei o jogo e achei interessante.
Um outro está no endereço http://www.onthefringe.org/clique/alterego/index.php. Parece ser um jogo um pouco diferente com muitos personagens interagindo. Você se inscreve e escolhe um alter ego. Depois... bem, eu não o experimentei. Quem sabe você experimenta e me conta. O jogo começa com uma pergunta inicial: "Quem você gostaria de ser"?
Bem, eu aprendi com Soren Kierkegaar que não faz sentido querer ser outra pessoa. Só mesmo por diversão. Na realidade eu devo me determinar como o Eu que sou diante de Deus.
Assim, ao me aproximar desse sítio quero ser mais eu mesmo...
Tuesday, November 2, 2004
Mediocridade
Sempre que vou à livraria fico impressionado com a quantidade de livros novos que vejo sendo lançados. Fico angustiado. Eu gostaria de escrever algo. Mas, sobre o quê? para quê? Tenho tantos projetos e nenhum! Sempre achei que só estaria justificado ao escrever se isso fosse algo realmente experimentado por mim... ou, talvez, fosse algo que verdadeiramente fosse edificante para o meu leitor... ou, ainda se aquilo sobre o que eu fosse escrever fosse algo buscado pelo meu leitor... Bem, eu nunca escrevi nada. Na realidade, escrevi muitas monografias e até uma dissertação de quase duzentas folhas. Todavia não é sobre isso que estou falando.
Ando a procura daquela paixão avassaladora que venha se tornar a razão para que eu viva por ela e por ela morra... Mas, já faz tanto tempo que eu existo e ainda não a encontrei...
Quando era mais jovem, eu tinha tantos projetos na minha cabeça... Se você me conhecesse diria que eu sou hoje uma pessoa bem sucedida na vida... Medida pelos parâmetros externos, minha vida é uma vida normalmente bem sucedida. Contudo, falta a paixão dominante...
Eu não consigo me acostumar com a mediocridade...