Monday, November 29, 2004

O Enigma do ser homem...

Tu os inundas com sono, eles são como a erva que brota de manhã: de manhã

ela germina e brota, de tarde ela murcha e seca.

Sim, somos consumidos, por tua ira, ficamos transtornados com teu furor.

Colocastes nossas faltas à tua frente, nossos segredos sob a luz da tua face.

Nossos dias todos passam sob a tua cólera, como um suspiro cosumimos nossos

anos. Setenta anos é o tempo da nossa vida, oitenta anos, se ela for vigorosa; e

a mairo parte deles é fadiga e mesquinhez, pois passam depressa, e nós voamos.

Quem conhece a força da tua ira, e temendo-te, conhece o teu furor?

Ensina-nos a contar nossos dias, para que tenhamos coração sábio!

Salmo 90.5-12.



Encontrei o video clip Return to Innocence na Internet. Depois fui buscar a letra da música. Fantástico! Primeiro vemos um velhinho, talvez uns 80 anos, debaixo de uma árvore cujas frutas são parecidas com a pera. Há muitas frutas caídas no chão. O velhinho abaixa-se e pega uma delas para comer. Depois olha para cima e vê as outras frutas ainda penduradas no pé. Então ele fecha os olhos como se a recordar. Deita-se no chão entre as frutas de olhos fechados. Rosto encovado, parece um cadáver. Então acontece! As frutas que estão caídas começam a voltar para os seus galhos enquanto uma música começa a lamentar no fundo. O clipe todo é de frente para trás, voltando no tempo. É como se o velhinho estivesse fazendo uma viagem no tempo. Em direção do começo. Um retorno a si mesmo, como diz a letra. Amor, devoção, sentimentos e emoções. Tudo é retratado de frente para trás na grande caminhada rumo a si mesmo.



Não tema ser fraco.

Não seja tão orgulhoso de ser forte.

Apenas olhe para dentro do seu coração, meu amigo.

Isto será um retorno a você mesmo.

Um retorno à inocência.



Lembro-me que o Livro Antigo diz que é do coração que procedem as fontes da vida. Lembro que ele diz que é do coração que procedem também as loucuras da vida. Lembro-me também que o Livro Antigo diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem.



Mas o homem é tão frágil, é tão passageiro, tão momentâneo.... o que são apenas setenta ou oitenta anos? A vida é como um sono. Você se deita e, de repente, você acorda. Quanto tempo se passou? Nossa! Foi tão rápido. Quem é esse velho no espelho? Sou eu?? Mas, por dentro, eu não sou tão velho assim!?!? Como é que passou tão rápido?



O clipe termina exatamente na pia bastismal onde o velhinho agora é uma criança que chora enquanto a água escorre de sua pequenina cabeça. Sim, uma indefesa criança... uma criança inocente. Inocente não porque não tenha pecado, mas porque nada sabe ainda da vida que está diante dela. Ela não se preocupa com nada. Ela espera tudo. Ela depende de todos à sua volta. É pequenina, indefesa e dependente.



'Ah, inocente criança, sabes tu quanto amor e desamor, quanta devoção e

afastamento, quanto sentimento e emoções, tua vida te reserva?? Sabes tu? Não,

nada sabes tu! E essa inocência, de nada saber é justamente o que te protege de enlouquecer!'




A vida não é um video clipe. Não dá para fazer edições. Só se vive uma vez. Portanto:

Se você deseja, então comece a rir.

Se você precisa, então comece a chorar.

Seja você mesmo, não se esconda.

Apenas creia no destino [suas próprias escolhas].

Não se preocupe com o que as pessoas dizem.

Apenas siga o seu próprio caminho [diante de Deus].

Não desista e use a oportunidade [escolha].

Para retornar à inocência.

Deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele. JESUS CRISTO.

Eis o ENIGMA LYRICS de Return to Innocence:

That's not the beginning of the end

That's the return to yourself

The return to innocence

Love - Devotion

Feeling - Emotion

Love - Devotion

Feeling - Emotion

Don't be afraid to be weak

Don't be too proud to be strong

Just look into your heart my friend

Tha will be the return to yourself

The return to innocence

If you want, then start to laugh

If you must, then start to cry

Be yourself don't hide

Just believe in destiny

Don't care what people say

Just follow your own way

Don't give up and use the chance

To return to innocence

That's not the beginning of the end

That's the return to yourself

The return to innocence

Don't care what people say

Follow just your own way

Follow just your own way

Don't give up, don't give up

To return, to return to innocence.

If you want then laugh

If you must then cry

Be yourself don't hide

Just believe in destiny.

Bye...

Sunday, November 28, 2004

You only live once...

Uma vida só é muito, muito pouco... A vida não tem rascunho, como se costuma dizer... Fazemos nossas escolhas, mas gostaríamos de ter feito outras... Todavia, o tempo chega em que não podemos mais fazer escolhas. Nosso último ato não tem escolha, nos é imposto!

Há coisas em demasia que gostaríamos de fazer. Há mulheres demais que gostaríamos de amar, de nos relacionar... Há países tantos onde gostaríamos de morar, de estar. Há livros, muitos, que gostaríamos de ter escrito... Mas nós só vivemos uma vez...

Gostaríamos de estar espalhados no tempo e no espaço vivendo todas as vidas que pudéssemos ao mesmo tempo desfrutar. Há essa coisa de uma vida só não parecer ser o suficiente para experimentar o que é ser humano... o que é estar na vida... o que é viver. Mas só se vive uma vez...

Ah... como dói viver apenas aqui e agora... e apenas uma vez...

Saturday, November 27, 2004

Contrastes...

Aqui estou eu sentado mais uma vez em frente ao computador...





A criança vem ao mundo com um nome, uma família, um mundo de diversões ao seu

redor, tudo nitidamente talhado para ela. Mas as suas entranhas estão cheias de

recordações horripilantes de batalhas impossíveis, aterradoras angústias

envolvendo sangue, dor, solidão, escuridão; misturadas com desejos ilimitados,

sensações de indizível beleza, majestade, espanto, mistério; e fantasias e

alucinações de misturas entre os dois componentes, corpo e símbolos, tentando

inutilmente uma fórmula conciliatória entre o corporal e o simbólico... e a

sexualidade penetra com o seu foco muito definido, para confundir e complicar

ainda mais o mundo da criança. Crescer é esconder a massa de tecido cicatricial

interno que lateja em nossos sonhos.

Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 42
Buscar uma fórmula conciliatória entre o corporal e o simbólico... inutilmente. O crescimento como repressão daquilo que aflora nos nossos sonhos. Triste solidão do homem em si mesmo. Veja agora a visão teísta do homem, muito mais otimista, muito mais significativa...





[SENHOR] Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha

mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são

maravilhosas! Digo isso com convicção.

Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e

entretecido como nas profundezas da terra.

Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim

foram escritos no teu livro antes de qualqer deles

existir

Salmo 139.13-16

Não mais o ser sozinho diante de si mesmo, mas o ser diante do Deus que o criou e o mantém vivo. É o ser diante de um Deus que se interessa por ele.



T+.



Thursday, November 25, 2004

O blog invisível...

Tentei achar o meu blog no Google. Nada. Tentei várias combinações de palavras que aparecem nos meus posts. Silêncio. Cheguei à conclusão que eu não existo na Internet.

Busquei ajuda do pessoal do blogger.com. Não adiantou nada. Acabei fazendo uma pesquisa no Google: 'Why I can´t find my blog as a searcher's result?" Então, fiquei sabendo das aranhazinhas que percorrem meticulosamente a Web, são os robots que buscam informações para colocar na base de dados dos searchers. Até me cadastrei no Google. Todavia até agora, nada, nada, nada...

Mesmo essa reclamação não vai ser lida por ninguém...

Me lembrei daquela história do 'Paulinho sozinho no mundo...'



Alguém sabe como me tornar visível? Ops... mas quem me ouvirá?



Bye.

Monday, November 22, 2004

Vivendo anestesiado...

Viver o momento ignorando e esquecendo o fato de que vamos morrer torna-se uma estranha capacidade dos adultos. Muitos andam daqui para ali com o Anjo da Morte pousado em seus ombros e não fazem conta dele a não ser quando ele finalmente resolve abrir as asas. Mais dia menos dia, contudo, a pessoa de repente se torna consciente da sua mortalidade.

Em épocas assim, quando desponta aquela percepção que sempre foi eclipsada por

alguma atividade frenética disponível no momento, vemos a transmutação da

repressão redestilada, por assim dizer, e o medo da morte surge em pura

essência. É por isso que as pessoas têm surtos psicóticos quando a repressão já

não funciona mais, quando a descarga de tensões através da atividade já não é

mais possível. Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 36.

Becker afirma que "existem muitas maneiras pelas quais a repressão atua para acalmar o angustiado animal humano, a fim de que ele não precise ter o mínimo de angústia". Mas assim ele segue como que anestesiado, sem se dar conta do porque ele faz o que faz.



As pessoas podem negar o quanto quiserem o medo da morte, contudo, ele está lá, em baixo da pele. Alíás, basta fazer um teste psicológico com medições das reações galvânicas da pele. Como dizem os psicólogos: "por baixo do mais sereno exterior esconde-se a ansiedade universal, o 'verme no âmago'".



Pessoalmente, além de uma infância conturbada e perturbada pelo medo da morte de minha mãe, manifestado em crises de 'pânico', quando ainda nem se falava disso, eu mesmo já passei por várias experiência onde pude ver um pedacinho daquele verme lá dentro, mas fiz de conta que não vi. Chegou um dia, todavia, em que não pude mais escondê-lo convenientemente lá dentro. Ele aflorou em toda sua feiúra.



Eu tinha basicamente três ocupações, uma das quais, acontecia numa cidade vizinha que ficava mais ou menos a três horas de carro da minha cidade de moradia. Num final de semana, depois de um dia duro de ministração de aulas, comecei a sentir uma dor de cabeça e algum descompasso no coração. Muito incomodado com a situação pedi a um colega que me levasse num hospital para ver o que estava acontecendo. Lá o plantonista constatou que minha pressão estava anormalmente elevada. Medicado para baixar a pressão voltei para o alojamento. No entanto, a dor de cabeça piorou e parecia que eu ia morrer. Voltei ao pronto socorro. Desta vez deram-me uma injeção com um tranquilizante e glicose para dor de cabeça. Fiquei imprestável o resto do dia. No outro dia voltei sonolento no banco de trás do carro em que íamos todo final de semana trabalhar. A partir dessa primeira crise comecei a experimentar muitas coisas que estavam entranhadas em mim mesmo. Levei quase seis meses para sair de uma crise de depressão onde o mundo se tornou cinzento para mim. Além disso, muitas vezes experimentava ondas de puro terror do nada. O medo era encarnado. Eu podia senti-lo em cada fibra dos músculos. Vinha como ondas que se alternavam. Tive outra crise grande cinco anos depois. Finalmente, arranjei uma forma de superar o problema. Noutra oportunidade quero falar um pouco mais sobre isso.



Por enquanto, é isso!

Sunday, November 21, 2004

O farmacêutico e o trem...

Os temores do homem são formados com base nas maneiras pelas quais ele

percebe o mundo. Ora, o que é que há de peculiar com relação à percepção que a

criança tem do mundo? Em primeiro lugar, a extrema confusão das relações de

causa e efeito; em segundo, a extrema irrealidade quanto aos limites de seus

próprios poderes.

Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 31


Estava comentando com minha filha sobre a idéia estranha de como uma criança percebe o mundo e suas relações. Disse-lhe que havia lido em algum lugar que uma criança já de uma certa idade, ao ouvir a expressão: "Seu pai ficou preso no trânsito..." poderia imaginar seu pai atrás das grades numa imensa fila de carros...
-"Acho um pouco exagerado", concluiu minha filha. "Como é que eles sabem o que uma criança pensa?"
-"Devem fazer alguns testes", acrescentei eu. E, imediatamente, me lembrei de um incidente que aconteceu comigo mesmo quando ainda era bem pequenino. Foi assim:
Eu estava viajando de mudança com minha família de Minas Gerais para o interior do Paraná, onde meu pai iria assumir a função de capataz de uma fazenda. De alguma maneira eu fiquei doente durante a viagem. Talvez fosse apenas um simples resfriado, eu não me recordo. Apenas sei que, numa das paradas do trem, em uma estação ferroviária, havia uma farmácia. Nós saimos do trem e fomos até lá para que eu tomasse uma injeção de algum remédio. Agora, o mais interessante. Tenho esse nítido quadro na memória. É uma memória distante, mas perfeitamente distinta.
Como os mais velhos devem se lembrar, antes dos tempos da AIDS e das seringas descartáveis, as seringas e agulhas eram esterilizadas numa caixinha metálica com água que era levada à ebulição por recipiente com alcool debaixo dela. Era costume daqueles que 'aplicavam injeções', após um período de ebulição, montar a agulha na seringa, aspirar a água quente e expelí-la para longe. Pois bem, a cena ainda é bastante nítida: uma pessoa pega a seringa, aspira a água quente e então empurram o êmbolo, espelindo o líquido na direção da porta da farmácia. Neste exato momento, um vagão é empurrado pela máquina, numa monobra logo em frente à porta da farmácia, que ficava na plataforma da estação, e se engata ao outro vagão num tranco barulhento. Na minha percepção infantil, a causa dos dois vagões engatarem-se num grande barulho foi a água expelida pela seringa na direção da plataforma. Não há nenhuma dúvida. Que poderosa era aquela seringa! Não me lembro de mais nada. Acho que aquela injeção que tomei foi traumática, a ponto de eu haver censurado sua lembrança. Também depois daquela demonstração de força quem é que daria voluntariamente o bumbum para ser espetado?
Então, é verdade, a criança faz uma extrema confusão entre as relações de causa e efeito, em sua percepção do mundo. Ora, daí nossos temores são formados. Quanta coisa não deve ter sido internalizada em mim decorrente das minhas percepções infantis da realidade?
É isso.

Saturday, November 20, 2004

O homem moderno e o medo da morte...

Não há dúvida de que os primitivos celebram, com frequência, a morte - como Hocart e outros demonstraram - porque acreditam que a morte é a promoção suprema, a última elevação ritual para uma forma de vida superior, para o desfrute da eternidade de alguma forma. A maioria dos ocidentais modernos tem dificuldade em acreditar nisso, o que faz com que o medo da morte tenha um papel muito destacado em nossa configuração psicológica.

Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 9.


Que a maioria dos ocidentais modernos tem dificuldade em acreditar que a morte é a promoção suprema para uma vida superior não pode ser surpresa para ninguém mais, veja uma notícia colhida no MSN Notícia que diz o seguinte:



"Passamos de uma cultura cristã para um secularismo radical com características de intolerância", disse o cardeal [Ratzinger] ao jornal La Republica, em entrevista publicada na sexta-feira.



"(Deus) está muito marginalizado. Na esfera política parece quase indecente falar sobre Deus, quase como se fosse um ataque à liberdade daqueles que não acreditam", afirmou Ratzinger na entrevista.



Dessa forma, não é de duvidar que os primitivos, sob um certo aspecto, o do medo da morte, eram superiores aos homens modernos... Isso fica muito claro também se considerarmos que na constituição do homem, segundo a Bíblia, Deus colocou nele o desejo pela eternidade:



Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.

Eclesiastes, 3.11



Assim, quando o homem ignora algo que é essencial dentro dele, utilizando o mecanismo da repressão consciente, obviamente a natureza do homem reage e manifesta aquilo que foi reprimido de uma outra forma: no medo da morte.

Becker comenta que devido ao fato de, "no fundo do coração, o indivíduo não acha que ele vai morrer, apenas sente pena daquele que está ao seu lado", numa guerra uma pessoa continua avançando até que é finalmente derrubada por um tiro fatal. Então ele apresenta a explicação freudiana para o fato:



[...] o inconsciente não conhece a morte ou o tempo: nos seus recessos orgânicos fisioquímicos mais íntimos, o homem se sente imortal.

Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 16.



Não é interessante que Freud venha a encontrar a eternidade no coração do homem, como afirma a Bíblia acima?



Eu não queria aqui prolongar muito essa pequena e humilde reflexão de um homem ainda cheio de incertezas, mas não resisto e cito mais um pensamento de Becker a propósito da arrogância do homem moderno em querer calar uma voz que proclama e defende sua religiosidade, demonstrando intolerância a qual nós não podemos tolerar:



Quando Norman O. Brown disse que a sociedade ocidental, mesmo a partir de Newton, por mais científica ou secular que alegue ser, ainda é tão 'religiosa' quanto qualquer outra, eis o que ele queria dizer: a sociedade 'civilizada' é uma esperançosa crença e protesto de que a ciência, o dinheiro e os bens façam com que o homem valha mais do que qualquer outro animal. Nesse sentido, tudo aquilo que o homem faz é religioso e heróico e, no entanto, corre o perigo de ser fictício e falível.

Ernest Becker, A Negação da Morte, p. 18.



Agora, apenas 'acreditar' que o homem é imortal, não basta. Nós 'acreditamos' em muitas coisas, mas não colocamos a nossa confiança nelas. Talvez fosse melhor usar a palavra que os cristãos gostam muito de usar: FÉ! Sim, porque fé é uma convicção inabalável, uma certeza profunda, capaz de dar sustentação para o indivíduo na hora da aflição, na hora da provação, na hora do desespero... Como diz a Bíblia até os demônios acreditam que Deus é um só, mas o que vale isso para eles? Eles jamais confiariam suas vidas a Deus...

Pense nisso...

T+



Wednesday, November 17, 2004

O medo da morte...

[...] a idéia da morte, o medo que ela

inspira, persegue o animal humano como nenhuma outra coisa; é uma das molas

mestras da atividade humana - atividade destinada, em sua maior parte, a evitar

a fatalidade da morte, vencê-la mediante a negação, de alguma maneira, de que

ela seja o destino final do homem.
Ernest Becker, A Negação da

Morte.
Temos visto no desdobramento da invasão do Iraque cenas de horror e tragédia. De ambos os lados. Como tudo acontece longe de nós, apenas olhamos e depois esquecemos. É como se fosse um filme. De alguma maneira nos enganamos como se tudo não passasse de uma encenação. Todavia, é alguma coisa muito real para aqueles que protagonizaram as cenas e para seus familiares e amigos. Desesperados, eles assistem tudo pela TV, ou pela Internet, ao vivo! A sensação de abandono e de impotência é imensa! E por isso mesmo o ódio e o desespero que toma conta de todos e nada se pode fazer.
Fiquei pensando naquela cena que vi pela Internet. Na telinha quatro homens encapuzados em pé diante de uma parede onde está estendida uma bandeira. Eles são fundamentalistas islâmicos. Um deles tem uma folha de papel na mão. Ele lê uma ladainha, numa língua que a maioria de nós não entende. Ele fala, fala, fala... Na frente dos quatro homens um outro homem está assentado, com os olhos vendados e chora baixinho... Depois de uns 8 minutos de lenga-lenga... de repente a leitura pára. Ato contínuo o homem guarda a folha de papel e saca de uma faca, avançando para o homem que está assentado no chão... O homem no chão percebe que a leitura acabou e sente a aproximação do outro. Ele tenta 'escapar'... mas, para onde? Então, no vídeo que eu assisti, some-se a imagem e fica apenas o som... um grito desesperado que termina num gorgolejar monstruoso de quem tem o pescoço cruel e lentamente decepado... Um homem ou uma mulher acaba de ser decapitado... Em nome de Deus!!!
Eu não consigo assistir alguma coisa assim sem me colocar no lugar da vítima. Fico imaginando os pensamentos que passaram pela sua mente naqueles momentos. Fico pensando nos sentimentos que se alternaram em seu coração: desespero, ódio, medo, terror, ira, desânimo, depressão, solidão, saudade, arrependimento... Fico pensando ainda na sensação daquele que sabia que daí a alguns minutos iria deixar de existir... e de maneira violentíssima. É difícil morrer numa situação assim. Morrer já é difícil, agora, morrer sem causa... Sim, muitos deles foram escolhidos ao acaso. Alguns eram turistas, outros honestos trabalhadores. Outros estavam fazendo beneficência... mas foram alcançados pela loucura desse mundo. Foram destruídos pela intolerância, pela ganância, pelo absolutismo, pelo poder do dinheiro, pelo interêsse das grandes empresas... Eu pergunto, se os sequestradores são mesmos tão corajosos assim, por que não sequestram o Colin Powell, o George Bush, o Donald Rumsfeld ou então alguns dos generais???
Tempos cruéis esses em que vivemos. Os fundamentalismos religioso, político e econômico... tornam-se cada vez mais violentos. Todos eles se acham no direito de impor a verdade de seus credos aos infiéis!! É o caso de Bush e Bin Laden, os quais, alguns dizem, curiosamente estão interessados na mesma coisa... a família Bush e a família Bin Laden, lado a lado (ou seria laden a laden?). O islamismo, o judaismo, o cristianismo, o globalismo e outros ismos...
Na realidade mortes violentas impostas por um regime autoritário, pelo crime organizado, por terroristas, por loucos, por seitas e religiões, por sultanatos absolutos, por tribos e etnias rivais, enfim... por variados grupos 'humanos' sobre pessoas excelentes são uma constante na história mundial. Pessoas pagam com a vida pelas suas contribuições à humanidade.
Até mesmo no cristianismo, a religião do amor, vemos essa espécie de intolerância. E não é de hoje. Hilário de Poitiers escreveu ao imperador Constantino queixando-se de que...
[...] todos os anos, não, todas as

luas, criamos novos credos para descrever mistérios invisíveis. Arrependemo-nos

do que fazemos, defendemos aqueles que se arrependem, anatemizamos aqueles que antes defendíamos. Condenamos as doutrinas dos outros em nós mesmos ou as nossas nas dos outros; e, retalhando-nos mutuamente uns aos outros, causamos a ruína de todos.
Citado por Joan O'Grady, em

Heresia
Não sou pós-moderno. Pelo menos penso que não sou. Mas defendo o direito das pessoas pensarem e poderem dizer o que pensam. Acredito na tolerância. A imposição de convicções sobre todos indiscriminadamente, utilizando a força das armas ou do dinheiro, a manipulação psicológica ou outro meio de força é desumano, é diabólico.
Bem, por hoje é só.
Tchau.

Monday, November 15, 2004

Eu e meu alter ego...

Meu alter ego é cristão. Não eu, mas o meu outro eu. Sim, no tempo eu sou mais antigo do que ele. Mas, ele vai durar eternamente. Eu, bem... quando ele morrer... é, quando seu sistema biológico parar, eu desapareço e ele continua...



Eu sempre estive no controle. Mas, quando eu tinha uns vinte e cinco anos eu fui invadido por uma luz puríssima! Eu digo que fui invadido, porque eu não pedi para ela entrar. Ela entrou por decisão única e exclusiva dela. Naquele dia eu morri! Morri... pero, no mucho. Eu me explico. Teorica e juridicamente eu fui destruido. Todavia, aproveitei-me do desconhecimento e da fragilidade desse alter ego que foi gerado em mim, e me mantenho vivo... apenas na nossa memória compartilhada. É estranho. Agora compartilhamos o mesmo corpo, a mesma psiquê. Não, não é um caso de multiplas personalidades. Nem é o caso de split de psiquismo. É muito mais complicado do que isso. Outro dia vou aprofundar a questão...



Obviamente, as pessoas que convivem conosco não percebem que vivemos nessa simbiose. Sim, é uma espécie de simbiose antagonística, cada um de nós satisfaz suas necessidades provocando danos ao outro. É uma associação parasitária. Pelo menos, da minha parte. E o pior é que eu me tornei parasita de mim mesmo...



Às vezes eu o vejo [esse meu alter ego] desesperar-se quando ele percebe que eu estou no comando... E a mim, me irrita muito quando ele assume o controle de maneira firme. A luz que está com ele é poderosíssima. Eu quase me anulo definitivamente quando ele age baseado nela. É terrível. A minha sorte é que ele ainda não percebeu o quanto essa parceria é eficaz...



Mas, eu sei que os meus dias estão contados. É uma questão de tempo... Isso mesmo, é uma questão de estar debaixo desse poder temporal. Quando o eterno invadir definitivamente o temporal, eu deixo de existir.



Mas eu queria falar do medo. É do medo da morte. Talvez seja esse um dos aspectos mais profundos de eu estar escrevendo aqui. Mas, por hoje chega. Vou descansar.



Ai fiquei pensando: o que acontece ao tolo também me acontecerá.
Que proveito eu tive em ser sábio?
Então eu disse a mim mesmo: Isso não faz o menor sentido!
Nem o sábio, nem o tolo serão lembrados para sempre; nos dias futuros ambos serão esquecidos.
Como pode o sábio morrer como o tolo morre?
Eclesiastes 2.15,16.


Até breve.

Sunday, November 14, 2004

Recordações...

Fui procurar algumas fotos minhas... Caramba, o tempo passa voando. Hoje quase não tenho mais cabelos. Mas vejo várias fotos onde ainda tinha bastante.



Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor;
entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
Salmo 90.10
Nossa vida nesse mundo inicia-se por uma crise. Somos retirados da segurança do útero materno para um mundo de incertezas e conflitos. Se não queremos sair, somos puxados a fórceps... Ou abrem a cortina do nosso esconderijo e nos tiram de qualquer maneira. Temos um tempo certo para permanecer no útero. Depois, temos que sair. Nossa recepção de boas vindas normalmente é uma palmada nas nádegas... e a primeira coisa que fazemos ao chegar é berrar! Se choramos ao nascer, então está tudo bem! Se alguém não chora ao nascer, alguma coisa pode estar errada com ele.
Nos adaptamos à nossa nova morada. Nos dão carinho e proteção. Mas chega um dia em que somos levados para um lugar diferente. Somos levados pela mão carinhosa da mamãe. Então somos entregues a uma pessoa estranha, a qual todos gostam de chamar de tia... Novamente somos abandonados naquele mundo estranho. Choramos e agarramo-nos à barra da saia da mamãe, todavia ela se afasta de nós e ficamos sozinhos novamente...
Acostumamo-nos novamente a esse novo e estranho mundo. Passamos muito tempo da nossa vida nesse novo ambiente. Fazemos muitos amigos e nos sentimos seguros ali. Temos os mestres para nos orientar e a vida parece muito boa. Todavia, chega novamente um dia que o reitor nos entrega um canudo de papel e nos envia para um mundo diferente daquele ao qual estávamos acostumados. Descobrimos que esse novo mundo é bastante hostil e que temos que lutar para ganhar o nosso lugar.
Competimos e nos estressamos para sermos bem sucedidos nesse novo ambiente. E quando estamos nos sentindo bem acomodados, bem aclimatados, um dia alguém do departamento pessoal chega e nos diz que temos que deixar a empresa. O nosso tempo chegou. Estamos aposentados para fazermos aquilo que quisermos. Não precisamos mais voltar ao nosso ambiente de trabalho. De um dia para o outro, somos jogados de volta para nós mesmos. Nosso lugar é ocupado por um sujeitinho sorridente que normalmente ainda tem cabelos [coitado] ... Pegamos nossas coisas e vamos para casa.
Levamos um tempo para nos acostumar com essa nova vida. Talvez alguns de nós descubramos que muitos dos planos que nós fizemos para esta etapa de nossa vida não poderão ser realizados, afinal de contas. Talvez experimentemos algum período cinzento e até nos vejamos tentados a arranjar outro trabalho. Por fim, conseguimos nos ajustar novamente. Bem... parece que essa nova vida não é tão ruim assim como pensávamos. Nessa nova etapa talvez descubramos que, além de estarmos dormindo com a avó, de vez em quando recebemos a visita daqueles adoráveis seres que nós chamamos de netos...
Passa-se algum tempo. E, novamente, quando conseguimos nos ajustar ao novo e último estilo de vida, um dia chega diante de nós alguém, que nós nunca esperávamos encontrar tão cedo, e nos diz: Apronte-se. Está na hora de partir em nova viagem. Então, nos despimos de tudo, damos a mão para esse novo condutor e partimos sem deixar telefone...
[...] pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar [...]
Primeira Carta de Paulo a Timóteo 6.7
Contudo, Deus lhe disse: 'Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. [...]'
Evangelho de Lucas 12.20
Vejo você outro dia.


Thursday, November 11, 2004

Bach, Gounod e Schubert

Agora fiquei um pouco confuso... Os acordes melodiosos que eu ouvia nos fins de tarde da minha infância eram de Bach, Gounod ou de Schubert?



Essa teia é fantástica. Basta você ter uma dúvida e um bom searcher e... pronto!



Para não ir muito longe, há uma composição de Ave Maria conhecida como sendo de autoria de Bach-Gounod. Pelo que eu entendi a melodia original é de Bach. Gounod, posteriormente, fez uma adaptação, no século 19. A música original de Bach é o primeiro prelúdio de Cravo Bem Temperado. É uma música bastante utilizada em cerimônias de casamento. Veja uma boa interpretação em midi http://www.schwicky.net/multimedia/midis/avemaria.mid . Eis uma outra bonita também http://www.fortunecity.com/tinpan/eno/677/Bach-AveM.mid.



Mas acho mesmo que era Ave Maria de Schubert como esta http://www.whereintheworld.net/Midi/Schubert_Ave_Maria.mid.



É isso.



Bye.

Wednesday, November 10, 2004

Continuando...

Eu era muito pequeno, ainda nem mesmo frequentava a escola, e morava numa casinha isolada por uma cerca de taquaras, próximo a uma pequena elevação... Me lembro que, todos os dias, exatamente às dezoito horas, quando normalmente eu estava brincando na rua em frente da casa, eu ouvia os acordes desta melodia vinda do pequeno rádio que a família possuia... Por alguma razão, esta melodia ficou gravada em minha memória, entre tantas outras que eu ouvi quando criança.

Hoje, sem que me desse conta, a melodia achava-se em background na minha mente. De repente, eu a pude perceber... Imediatamente, aquele menino pequenino, sujo de terra, surgiu novamente na minha mente... ele estava lá ouvindo a música também... Ele olhava na direção da casa de onde surgiam as notas da conhecida melodia.

Como e por que a melodia começou a tocar em minha mente? Não sei. Eu estava conversando com minha esposa. Alguma coisa sobre a qual falávamos disparou os neurônios que guardavam o enderêço desta lembrança/experiência.

Juntamente com a lembrança, vieram os sentimentos e o estado de espírito associados daquele menino... Ora, este tipo de experiência é algo que só eu mesmo posso sentir. Não há como transmitir essas sensações para outro ego, ainda que eu fosse o mago das palavras... Este é um mundo somente meu... assim como você tem o seu e eu nunca vou conhecê-lo exatamente.



Bem, deixe-me trabalhar em algo diferente agora.



T+.

Para aliviar a consciência...

A última vez que postei uma mensagem foi há 6 dias atrás. Preciso me disciplinar...



Não sei porque, hoje, de repente, me dei conta da melodia de Ave Maria no meu interior... Será que era de Gounod ou de Schubert? Acho que eram as duas. Pode-se ouvir ambas em http://ingeb.org/spiritua/avemarba.mid e em http://ingeb.org/spiritua/avemarsc.mid experimente... Eu queria falar um pouco destas recordações que nos colocam lá no centro da nossa infância... Queria falar também do fato de sermos totalmente estranhos uns aos outros. Ou melhor, de possuirmos recordações que são só nossas e que outras pessoas jamais poderão experimentá-las do modo como as experimentamos... É uma espécie de solipsismo... Nasci católico e vivi até a minha adolescência no catolicismo... Mas agora não dá para falar sobre isso, tenho que sair.



Até mais...

Thursday, November 4, 2004

Era para ser um prólogo...

O dicionário Houaiss dá três significados diferentes para alter ego: a)

um segundo eu; substituto perfeito; b) grande amigo, pessoa em quem se pode confiar tanto quanto em si mesmo; e c) outro aspecto do próprio ego.



Esse meu sítio era para ser um lugar onde um segundo eu meu se manifestaria revelando um pouco do outro aspecto do meu próprio ego. Aqui eu ousaria colocar alguns pensamentos mais profundos, e por isso velados, que povoam os meus neurônios mais estranhos... Eu digo, era para ser, pois não sei bem como eu me comportarei ao procurar refúgio bem debaixo do spot do palco da grande teia. [Quem sabe não é puro desejo de me exibir por dentro o que me motiva?] Pois é, eu quero examinar isso também.



Mas, eu resolvi dar uma passeada pela teia para ver o que havia de alter ego nela. Fiquei impressionado. São 1.010.000 referências a alter ego na web! Tem de tudo! Grande parte dessas referências são de sítios com o mesmo nome... há bandas, softwares, livros, jogos, estúdio de música, etc..



Escolhi dois sítios interessantes. Quem sabe você vai querer dar uma olhadinha.



O primeiro está no endereço http://www.theblackforge.net/#. Começa com um Bem vindo ao alter ego! e continua perguntando algo assim: "Você já se perguntou como poderia ter sido sua vida se as coisas fossem um pouquinho diferente?" E então somos apresentados a um game (é... um jogo!) online que permite simular um outro eu para você. As cenas que o jogo usa foram escritas por Peter Favaro, PhD, e o programa por Dan Fabulich. Vá ver. Vale a pena. Eu experimentei o jogo e achei interessante.



Um outro está no endereço http://www.onthefringe.org/clique/alterego/index.php. Parece ser um jogo um pouco diferente com muitos personagens interagindo. Você se inscreve e escolhe um alter ego. Depois... bem, eu não o experimentei. Quem sabe você experimenta e me conta. O jogo começa com uma pergunta inicial: "Quem você gostaria de ser"?



Bem, eu aprendi com Soren Kierkegaar que não faz sentido querer ser outra pessoa. Só mesmo por diversão. Na realidade eu devo me determinar como o Eu que sou diante de Deus.



Assim, ao me aproximar desse sítio quero ser mais eu mesmo...



Tuesday, November 2, 2004

Mediocridade

Richard Foster escreveu: "Nestes dias e nesta época, o fato de não ter nada a dizer não desqualifica uma pessoa para escrever um livro. A triste verdade é que muitos autores simplesmente, nunca aprenderam a refletir de forma real sobre qualquer coisa." (Citado por Piper em 'O Sorriso Escondido de Deus')



Sempre que vou à livraria fico impressionado com a quantidade de livros novos que vejo sendo lançados. Fico angustiado. Eu gostaria de escrever algo. Mas, sobre o quê? para quê? Tenho tantos projetos e nenhum! Sempre achei que só estaria justificado ao escrever se isso fosse algo realmente experimentado por mim... ou, talvez, fosse algo que verdadeiramente fosse edificante para o meu leitor... ou, ainda se aquilo sobre o que eu fosse escrever fosse algo buscado pelo meu leitor... Bem, eu nunca escrevi nada. Na realidade, escrevi muitas monografias e até uma dissertação de quase duzentas folhas. Todavia não é sobre isso que estou falando.



Ando a procura daquela paixão avassaladora que venha se tornar a razão para que eu viva por ela e por ela morra... Mas, já faz tanto tempo que eu existo e ainda não a encontrei...



Quando era mais jovem, eu tinha tantos projetos na minha cabeça... Se você me conhecesse diria que eu sou hoje uma pessoa bem sucedida na vida... Medida pelos parâmetros externos, minha vida é uma vida normalmente bem sucedida. Contudo, falta a paixão dominante...



Eu não consigo me acostumar com a mediocridade...