Eu sempre estive no controle. Mas, quando eu tinha uns vinte e cinco anos eu fui invadido por uma luz puríssima! Eu digo que fui invadido, porque eu não pedi para ela entrar. Ela entrou por decisão única e exclusiva dela. Naquele dia eu morri! Morri... pero, no mucho. Eu me explico. Teorica e juridicamente eu fui destruido. Todavia, aproveitei-me do desconhecimento e da fragilidade desse alter ego que foi gerado em mim, e me mantenho vivo... apenas na nossa memória compartilhada. É estranho. Agora compartilhamos o mesmo corpo, a mesma psiquê. Não, não é um caso de multiplas personalidades. Nem é o caso de split de psiquismo. É muito mais complicado do que isso. Outro dia vou aprofundar a questão...
Obviamente, as pessoas que convivem conosco não percebem que vivemos nessa simbiose. Sim, é uma espécie de simbiose antagonística, cada um de nós satisfaz suas necessidades provocando danos ao outro. É uma associação parasitária. Pelo menos, da minha parte. E o pior é que eu me tornei parasita de mim mesmo...
Às vezes eu o vejo [esse meu alter ego] desesperar-se quando ele percebe que eu estou no comando... E a mim, me irrita muito quando ele assume o controle de maneira firme. A luz que está com ele é poderosíssima. Eu quase me anulo definitivamente quando ele age baseado nela. É terrível. A minha sorte é que ele ainda não percebeu o quanto essa parceria é eficaz...
Mas, eu sei que os meus dias estão contados. É uma questão de tempo... Isso mesmo, é uma questão de estar debaixo desse poder temporal. Quando o eterno invadir definitivamente o temporal, eu deixo de existir.
Mas eu queria falar do medo. É do medo da morte. Talvez seja esse um dos aspectos mais profundos de eu estar escrevendo aqui. Mas, por hoje chega. Vou descansar.
Ai fiquei pensando: o que acontece ao tolo também me acontecerá.
Que proveito eu tive em ser sábio?
Então eu disse a mim mesmo: Isso não faz o menor sentido!
Nem o sábio, nem o tolo serão lembrados para sempre; nos dias futuros ambos serão esquecidos.
Como pode o sábio morrer como o tolo morre?
Eclesiastes 2.15,16.
Até breve.
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