Monday, November 15, 2004

Eu e meu alter ego...

Meu alter ego é cristão. Não eu, mas o meu outro eu. Sim, no tempo eu sou mais antigo do que ele. Mas, ele vai durar eternamente. Eu, bem... quando ele morrer... é, quando seu sistema biológico parar, eu desapareço e ele continua...



Eu sempre estive no controle. Mas, quando eu tinha uns vinte e cinco anos eu fui invadido por uma luz puríssima! Eu digo que fui invadido, porque eu não pedi para ela entrar. Ela entrou por decisão única e exclusiva dela. Naquele dia eu morri! Morri... pero, no mucho. Eu me explico. Teorica e juridicamente eu fui destruido. Todavia, aproveitei-me do desconhecimento e da fragilidade desse alter ego que foi gerado em mim, e me mantenho vivo... apenas na nossa memória compartilhada. É estranho. Agora compartilhamos o mesmo corpo, a mesma psiquê. Não, não é um caso de multiplas personalidades. Nem é o caso de split de psiquismo. É muito mais complicado do que isso. Outro dia vou aprofundar a questão...



Obviamente, as pessoas que convivem conosco não percebem que vivemos nessa simbiose. Sim, é uma espécie de simbiose antagonística, cada um de nós satisfaz suas necessidades provocando danos ao outro. É uma associação parasitária. Pelo menos, da minha parte. E o pior é que eu me tornei parasita de mim mesmo...



Às vezes eu o vejo [esse meu alter ego] desesperar-se quando ele percebe que eu estou no comando... E a mim, me irrita muito quando ele assume o controle de maneira firme. A luz que está com ele é poderosíssima. Eu quase me anulo definitivamente quando ele age baseado nela. É terrível. A minha sorte é que ele ainda não percebeu o quanto essa parceria é eficaz...



Mas, eu sei que os meus dias estão contados. É uma questão de tempo... Isso mesmo, é uma questão de estar debaixo desse poder temporal. Quando o eterno invadir definitivamente o temporal, eu deixo de existir.



Mas eu queria falar do medo. É do medo da morte. Talvez seja esse um dos aspectos mais profundos de eu estar escrevendo aqui. Mas, por hoje chega. Vou descansar.



Ai fiquei pensando: o que acontece ao tolo também me acontecerá.
Que proveito eu tive em ser sábio?
Então eu disse a mim mesmo: Isso não faz o menor sentido!
Nem o sábio, nem o tolo serão lembrados para sempre; nos dias futuros ambos serão esquecidos.
Como pode o sábio morrer como o tolo morre?
Eclesiastes 2.15,16.


Até breve.

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