Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor;
entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
Salmo 90.10
Nossa vida nesse mundo inicia-se por uma crise. Somos retirados da segurança do útero materno para um mundo de incertezas e conflitos. Se não queremos sair, somos puxados a fórceps... Ou abrem a cortina do nosso esconderijo e nos tiram de qualquer maneira. Temos um tempo certo para permanecer no útero. Depois, temos que sair. Nossa recepção de boas vindas normalmente é uma palmada nas nádegas... e a primeira coisa que fazemos ao chegar é berrar! Se choramos ao nascer, então está tudo bem! Se alguém não chora ao nascer, alguma coisa pode estar errada com ele.
Nos adaptamos à nossa nova morada. Nos dão carinho e proteção. Mas chega um dia em que somos levados para um lugar diferente. Somos levados pela mão carinhosa da mamãe. Então somos entregues a uma pessoa estranha, a qual todos gostam de chamar de tia... Novamente somos abandonados naquele mundo estranho. Choramos e agarramo-nos à barra da saia da mamãe, todavia ela se afasta de nós e ficamos sozinhos novamente...
Acostumamo-nos novamente a esse novo e estranho mundo. Passamos muito tempo da nossa vida nesse novo ambiente. Fazemos muitos amigos e nos sentimos seguros ali. Temos os mestres para nos orientar e a vida parece muito boa. Todavia, chega novamente um dia que o reitor nos entrega um canudo de papel e nos envia para um mundo diferente daquele ao qual estávamos acostumados. Descobrimos que esse novo mundo é bastante hostil e que temos que lutar para ganhar o nosso lugar.
Competimos e nos estressamos para sermos bem sucedidos nesse novo ambiente. E quando estamos nos sentindo bem acomodados, bem aclimatados, um dia alguém do departamento pessoal chega e nos diz que temos que deixar a empresa. O nosso tempo chegou. Estamos aposentados para fazermos aquilo que quisermos. Não precisamos mais voltar ao nosso ambiente de trabalho. De um dia para o outro, somos jogados de volta para nós mesmos. Nosso lugar é ocupado por um sujeitinho sorridente que normalmente ainda tem cabelos [coitado] ... Pegamos nossas coisas e vamos para casa.
Levamos um tempo para nos acostumar com essa nova vida. Talvez alguns de nós descubramos que muitos dos planos que nós fizemos para esta etapa de nossa vida não poderão ser realizados, afinal de contas. Talvez experimentemos algum período cinzento e até nos vejamos tentados a arranjar outro trabalho. Por fim, conseguimos nos ajustar novamente. Bem... parece que essa nova vida não é tão ruim assim como pensávamos. Nessa nova etapa talvez descubramos que, além de estarmos dormindo com a avó, de vez em quando recebemos a visita daqueles adoráveis seres que nós chamamos de netos...
Passa-se algum tempo. E, novamente, quando conseguimos nos ajustar ao novo e último estilo de vida, um dia chega diante de nós alguém, que nós nunca esperávamos encontrar tão cedo, e nos diz: Apronte-se. Está na hora de partir em nova viagem. Então, nos despimos de tudo, damos a mão para esse novo condutor e partimos sem deixar telefone...
[...] pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar [...]
Primeira Carta de Paulo a Timóteo 6.7
Contudo, Deus lhe disse: 'Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. [...]'
Evangelho de Lucas 12.20
Vejo você outro dia.
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