Wednesday, May 18, 2005

Pensamentos esparsos... enquanto trabalho.

Às vezes, vejo as pessoas que caminham orgulhosas, arrogantes, dando a impressão de serem absolutamente autosuficientes. Caminham eretas, com o nariz empinado. Mas eu vejo para além da carne que cobre o homem interior. Eles sofrem. Eles anseiam e não alcançam. Eles estão irados porque a felicidade que eles tanto desejam parece um objetivo inalcançável. Se eles pudessem eles destruiram todos aqueles seres humanos que se interpõem entre eles e o seu alvo tão desejado... ser feliz... a qualquer preço.
Eles se relacionam, mas o fazem em busca de seus próprios alvos. Não é um altruísmo aquilo que os aproxima do próximo... é um egocentrismo surdo e irado.
Me recordo das palavras do apóstolo Paulo e do seu hino ao verdadeiro amor:


E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,

não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;

não se alegra com a injustiça, mas regojiza-se com a verdade;

tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba... [Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios 13. 3-8.

Você pode ir até às profundezas do seu coração, todavia não encontrará lá nenhuma sombra de um amor como esse. Um amor totalmente desprovido de egoísmo. Um amor assim centralizado no outro e não em si mesmo não é um amor humano. Trata-se de um dom celestial. Nós temos que ir ao fim de nós mesmos, temos que desesperarmo-nos da nossa fixação no Eu. Só quando desistirmos totalmente de encontrar esse amor em nós mesmos é que podemos buscar no Outro a fonte de onde jorra esse amor. O mesmo apóstolo disse em outra missiva sua:

Ora a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. [Carta de Paulo aos Romanos 5.5]

E um outro apóstolo reconheceu que:

Nós amamos porque ele [Deus] nos amou primeiro. [Primeira Carta de João 4.19

Em outras palavras, um amor totalmente desprovido de egoísmo não se origina em nós, mas é um amor totalmente responsivo. Deus nos ama e derrama seu amor em nossos corações pelo Seu Espírito Santo, então, só então, nós ressoamos, respondemos no mesmo diapasão celestial de amor. Qualquer outra tentativa está totalmente fadada ao fracasso e ao desespero. E sem esse tipo de amor sacrificial não pode haver comunidade, não pode haver comunhão verdadeira, nem mesmo entre marido e mulher, ou pais e filhos...

Então, desespere-se de você mesmo... o desespero será a sua salvação!

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