Friday, December 9, 2005

Uma mariposa na calçada

Sexta-feira, oito horas da manhã. Estou indo a uma farmácia. Estaciono o meu carro. Entro na farmácia e compro o medicamento que preciso. Pago e volto para o meu carro. De repente, uma mariposa desce num vôo rasante batento freneticamente as asas. Por alguns segundos observo o sua trajetória errática. Imediatamente um pardal mergulha sobre ela e a prende no bico. Ela é grande e continua batendo as asas. O pardal sacode o bico e lança a mariposa mais à frente. Mergulha novamente sobre ela e a bica mais uma vez. Prossegue assim bicando e sacudindo e lançando-a para frente. Fico observando a cena. Eles se escondem atrás de uma pedra. Quando volto a vê-los a mariposa não tem mais as suas asas é apenas um tubo inerte. O pardal está começando a devorá-la. Talvez seja a sua primeira refeição matutina. Bom para o pardal, já para a mariposa...
Fico pensando. Quantos milhares de animais estão devorando e sendo devorados nesse exato momento. Para que um sobreviva outro tem que morrer. É a vida! Fico pensando. Será que a mariposa sentiu muita dor? Segundo o Dr. Hannibal Lecter, enfiando o estilete no fígado de sua vítima, se ela se entregar docemente, não sentirá dor por causa do estado de choque. Será? Lembro-me também de um búfalo nas garras de uma leoa. Ela o havia abocanhado no pescoço, por baixo, de tal maneira que, apertando as mandíbulas, impedisse o animal de respirar. O comentarista disse que o búfalo naquele momento não estava sentindo dor por causa do estado de choque. Será? Lembro-me ainda de uma outra cena grotesca de um búfalo que caminhava trôpegamente enquanto que um bando de hienas o devorava por baixo ainda vivo. De novo o comentarista estava argumentando que o búfalo nada estava sentindo. Será? Será que o comentarista não estaria sentindo nada se estivesse no lugar do búfalo?
Bem... o que eu estou pensando agora é na violência inerente aos processos biológicos de morte-e-vida que existem na natureza. Algumas pessoas me dirão que o mundo é assim mesmo. Eu, porém, penso que não. O que você pensa disso? Para sua reflexão veja o seguinte pensamento:

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.
Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.
E não somente ela, mas também nós... Romanos 8:18-23