Tuesday, July 25, 2006

De Volta Depois de uma Longa Viagem

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hhuumm...hummm...

Engraçado. Há apenas alguns segundos atrás eu tinha tanto para compartilhar. Agora...

Deve ser algo assim parecido com o que me aconteceu no meu médico cardiologista. Cheguei e, depois de algumas conversas sobre como eu estava me sentindo, ele falou: "Vamos medir sua pressão!" Concordei. Ele mediu e ficou olhando para mim. Depois, resolveu consigo mesmo e me pediu um 'mapa'. Sabe, aquele exame em que você não pode tomar banho por um dia inteiro? É, pois é. Isso mesmo. Tem aquele aparelhinho que fica o dia inteiro apertando o seu braço nos lugares mais inconvenientes.

O interessante é que enquanto ele fazia anotações na minha ficha eu dei uma 'espiadinha' e vi que ele anotou duas possibilidades. Uma delas estava assim registrado: "efeito avental branco". É. Em outras palavras, o que ele estava querendo insinuar era que toda vez que eu me deparava com o seu avental branco, minha pressão subia.

Acho que me aconteceu a mesma coisa agora. Quando vi a página em branco em minha frente, todas aquelas idéias tão urgentes que eu tinha para compartilhar... sumiram... como por encanto.

Pois é, mas eu estive viajando. Fui até o Sul de Minas. Fui visitar minha terra natal. Quando eu vou para lá, não consigo descansar. Como sou o filho mais velho de uma família grande, me esperam muitos problemas para interferir de alguma forma. E isso desgasta. Cansa. Estressa. Depois, quando a gente volta, ainda tem que escutar: "E aí? Gostou das férias?"

Todas as vezes que eu vou ao Sul de Minas e tomo contato mais de perto com meus irmãos, irmãs, sobrinhos e sobrinhas e, naturalmente, minha mãe, fico impactado ao retomar consciência das minhas raízes. Meu pai já é falecido desde de 1988. Quando vejo todos os problemas que eles estão envolvidos, suas reações, suas manipulações, suas maquinações, invejas, intrigas, sofrimentos, solidão... não consigo deixar de me sentir parte de tudo isso. Quando estou longe, parece que nem mesmo vivi tudo aquilo que eles ainda vivem até hoje... Mas, quando eu chego na minha cidadezinha todas as coisas voltam. Eu me sinto novamente profundamente envolvido.

Dessa vez eu levei até a minha viola. Minha intenção era poder tocar e cantar com eles. Principalmente com minha mãe. Em outras palavras, eu pensava numa viagem redentiva. Uma viagem para um relacionamento profundo e caloroso. Mas, se toquei, foi apenas um pouco com meu sobrinho e um pouco com minha mãe. Depois me afundei em reuniões de família e números e mais números. A crise atual é sanear a situação financeira e existencial de minha mãe. Ela é aposentada e luta desesperadamente para poder se inserir em uma das famílias dos meus irmãos. Eu já a convidei para morar conosco, mas ela tem as raízes tão profundas no Sul de Minas que nem mesmo um guindaste conseguiria removê-la. Além disso, ela sempre diz que não pode ir porque o médico disse que o seu problema de coluna... bem, vocês sabem, ela está naquela fase do Condor: "com dor aqui, com dor ali..." Por isso não sai. Mas, voltemos à crise... Impressionante como tem tanta gente querendo se aproveitar das velhinhas aposentadas hoje em dia nesse nosso país. Principalmente os agentes financeiros e os líderes religiosos corruptos e interesseiros.

Eu deveria ter sabido que seria assim. Eu tive mesmo um aviso antes de chegar.

Eu fui de ônibus, apesar da longa distância a ser percorrida. Na primeira parte da viagem peguei um "Top Bus" e as estradas eram , retas, largas e o asfalto de ótima qualidade. Quando entrei no estado de Minas pelo Sul, mudei de empresa rodoviária. Então, toda a viagem também mudou. Estradas estreitas, muitas curvas e montanhas. Minha viola estava no bagageiro que existe nas laterais do ônibus. De repente, sem aviso prévio, o ônibus começou a voltear como uma cobra na trilha. Não deu outra. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, lá veio minha viola abaixo! Caiu bem no meio do corredor. Posso dizer que aquilo doeu mais em mim do que nela. Não quebrou nada. Mas na base, num ponto específico o esmalte trincou! E isso doeu no meu perfeccionismo é como se a minha viola houvesse sido abusada. Olha, foi duro ver aquilo e manter o humor. A coisa toda só não me tirou mais do sério porque, exatamente naquele momento, um passageiro iniciou uma discussão com o motorista. Ele queria descer numa cidade pela qual havíamos acabado de passar. Foi aquele 'barraco', como se diz. Então eu deixei que aquilo servisse como uma espécie de terapia para a minha ira com a queda da viola... E a viagem seguiu em frente.

Outro dia eu continuo narrando alguma coisa mais da minha viagem.

T+

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