A idéia da eleição, em palavras simples, é que, antes da fundação do mundo no qual vivemos, Deus amou a cada um dos eleitos e os predestinou para serem salvos e serem conformados à imagem de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Aqueles que não foram eleitos estão definitivamente perdidos e viverão eternamente debaixo da ira de Deus.
Não há um eleito que não venha a ser salvo e nem um não-eleito que possa se salvar. Todavia, ninguém sabe de antemão quem são os eleitos e quem são os não-eleitos. É um mistério guardado em Deus.
Sabe-se, contudo, que os eleitos responderão positivamente ao chamamento do Evangelho, isto é, quando eles forem confrontado com a mensagem de salvação das Escrituras eles, a seu tempo, se entregarão ao Senhor e Salvador e tornar-se-ão Filhos de Deus.
Os não-eleitos, por sua vez, jamais responderão positivamente à pregação do Evangelho. E se eles parecerem que responderam positivamente será apenas uma conversão temporária, não duradoura, e invariavelmente apostatarão da fé mais dia menos dia. No caso da 'conversão' de um não-eleito é possível constatar que ele não ama realmente a Deus, porque o amor a Deus só pode ser um amor responsivo: Deus tem que amá-lo primeiramente. Como ele não é um eleito, então não foi objeto do amor de Deus, pelo contrário sobre ele permanece a Sua ira.
Sendo assim, por que então evangelizar? Se não há um eleito que não venha a ser salvo e se não há um não-eleito que não venha a se perder, qual a necessidade da pregação da Palavra?
Primeiro, porque é um mandamento de Deus, pois pela pregação da Palavra é que vem a fé. Sem fé é impossível agradar a Deus porque Ele quer que aqueles que se aproximam dEle creiam que Ele existe e que se torna galardoador daqueles que O buscam. E ninguém tem esse tipo de fé em si mesmo, mas ela é dada pelo próprio Deus, no poder do Espírito Santo, pela instrumentalidade da Palavra.
Aparentemente, não adiantaria atormentar um não-eleito com o fogo do inferno. Afinal, ele não teria nenhuma possibilidade de deixar de ir para lá. Por outro lado, para que atormentar um eleito com o fogo do inferno se ele nunca iria para lá?
Parece que também um não-eleito jamais se interessaria pela salvação! Nunca haveria um não-eleito que dissesse: "gostaria tanto de ter sido amado e eleito por Deus, mas Ele não me elegeu." Nunca haveria um não-eleito que anelasse pelos Novos Céus e Nova Terra. Isso não faria parte da sua natureza caída. Ele, pela sua natureza, não seria atraído pela bondade de Deus.
Na realidade as Escrituras dizem que todos nós, quando nascemos de nossas mães terrenas, somos por natureza inimigos de Deus. Não queremos nada com Ele. Aliás, podemos até querer seus benefícios, mas a Ele mesmo jamais quereríamos. É por isso que Deus tem que atuar primeiro. Ele tem que chamar de maneira eficaz. Ele tem que dar ao discípulo a condição de responder afirmativamente ao chamamento.
Nesse caso, então, por que pregar a Palavra? Por que a urgência nessa tarefa?
Fiquei pensando na vida de um eleito ainda não salvo. Eu mesmo era alguém assim até os vinte e cinco anos. Embora de tendência religiosa, não me entregava ao Único Deus Vivo e Verdadeiro. Mas procurei por todo tipo de religião e seita que pude frequentar, até que um dia me rendi a Jesus Cristo. Então minha vida mudou. Minha perspectiva de vida mudou. Meus relacionamentos mudaram. As Escrituras começaram a fazer sentido. Antes eu só via inconsistências na Palavra. Meu casamento mudou. Antes quase cheguei a me separar de minha esposa.
Então, eu concluí o seguinte: quando estou diante de um não-convertido, é fato que eu não posso saber se ele é um eleito ou não. Qualquer que seja o caso, sei que a vida dele é sem sentido e sofrida. Isso por mais feliz que ele possa aparentar. Sei que a sua felicidade é como uma finíssima película de verniz sobre a madeira. Ele parece feliz porque suas circunstâncias funcionam como sedativo para o sofrimento e a falta de sentido na vida. Provavelmente ele é jovem, tem boa aparência, tem dinheiro, tem uma vida pela frente, tem um ideal de vida pelo qual ele se entrega prazerosamente... Mas, vem o dia em que algumas dessas coisas falham, ou várias delas falham ao mesmo tempo. Nesse momento a vida se mostra contraditória... há tanta beleza misturada com tanta dor. Para que viver?
Então, o cristão é chamado para pregar o Evangelho a tempo e fora de tempo. Ele é chamado para compartilhar a sua fé com todos. Quem responder positivamente era um eleito e agora é um salvo! Quem não responder é um não-eleito ou então ainda não chegou o seu tempo. De qualquer forma quando uma pessoa se converte ela passa a desfrutar já dos poderes do mundo vindouro enquanto aguarda a plenitude da vida eterna na ressurreição e nos Novos Céus e Nova Terra.
Cada pessoa que se converte pela pregação das Escrituras é mais um perdido que foi encontrado. É mais uma pessoa alienada que encontrou sua vocação celestial. Por isso, há celebração entre os anjos quando um perdido se encontra em Jesus Cristo. A alegria de participar desse parto espiritual não tem preço!
For if there is really one spiritual body (not an immortal soul, but a spiritual body) which has emerged from a flesh then indeed the power of death is broken. O. Cullman
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