Thursday, July 31, 2008

Chegamos

Depois de uma noite num ônibus executivo da Garcia, chegamos hoje às 07:20 na rodoviária do terminal da Barra Funda. Era para chegarmos às 06:30 hs, mas o trânsito de São Paulo, todo mundo já sabe... Foi uma viagem muito boa, sem nenhum incidente. Na segunda parada eu e Mercia descemos para fazer um lanchinho. Por falar em lanchinho, a Garcia está distribuindo nos seus ônibus executivos um pacote de lanche que está melhor do que das companhias aéreas. O sono foi entrecortado e um pouco doloroso, pois ficar amarrado, procurando uma posição mais adequada é um tanto difícil. Alguns entretanto, mais jovens dormiram sono pesado quase à noite toda. Ah... a juventude!

Rodrigo foi nos buscar no horário combinado, 06:30 hs. Teve que esperar uma hora. Tentou ligar para o nosso celular mas não conseguiu. Motivo: são celulares pré-pagos e estavam no final do crédito. Segundo os entendidos, nessas condições, não recebem ligações. Depois foi uma hora de carro para ir da Barra Funda até o Morumbi. Mas, foi bem.

Chegamos e encontramos Issa muito bem. Eu e a patroa já tomamos um banho. Foi muito revigorante, depois de uma noite mal-dormida. Já instalei uma HP Officejet All-in-One no escritório do casal. Está funcionando beleza. Vamos almoçar agora. Rodrigo já nos disse que fica aqui em São Paulo só mais uns dois meses. Depois, rumo a Brasília. Ainda bem que conseguimos visitá-los na terra da garôa. Finalmente, vou conhecer Brasília. Talvez ainda esse ano, hehehe...

Espero conseguir um tempo para atualizar vários dos meus blogs. Pretendemos também visitar uns parentes da Mercia aqui em São Paulo. Eu gostaria também de dar uma esticadinha até o Sul de Minas, para visitar minha velha mãe e outros familiares. Não sei se vou conseguir.

Em Maringá deixei o meu carro para vender. Espero que consiga vendê-lo por um preço que eu não perca muito dinheiro.

É isso.

Thursday, July 3, 2008

Esse Mundo Louco

Estava pensando em como esse mundo tem mudado desde quando eu era apenas um garoto.

Saia à rua e perceba as pessoas, as ruas, os prédios... Você notará que é muito fácil ouvir pessoas falando sozinhas e em alta voz pela cidade e isso é aceito normalmente pelos transeuntes. Quer dizer, eles estão falando aos celulares. Tá todo mundo plugado! A maioria das pessoas pode ser acessada agora a qualquer hora e em qualquer lugar. Talvez não esteja longe o dia em que estaremos andando ao lado de uma pessoa e ela vai dizer: "Beam me up, papai" e em seguida vai desaparecer do seu lado. E você ainda vai achar que isso é a coisa mais normal do mundo.

As coisas estão mudando muito rápido. Quase já não dá para se fazer ficção. Aquilo que você imagina, por mais louco que seja, alguém já está fazendo. Duvida? Pense numa coisa louca. Agora, pegue o seu BlackBerry, ou o seu iphone, ou o seu smartphone... sei lá, qualquer um... Esse é outro problema: nada está definido definitivamente! É isso mesmo. O que é um smartphone? Quais são as características que transformam um celular em um smartphone? Quando você tenta determinar, já mudou o conceito. Mas... voltando na coisa louca [eu disse coisa louca e não, vaca louca, tome cuidado.]. Então, digite essa coisa louca que você pensou no campo do Google Finder do seu visor de internet... voilà! Aquilo que era improvável lá está. Alguém deve estar trabalhando para torná-lo real. Por exemplo, você olha para a sua impressora imprimindo a foto de um produto e pensa: poderia existir uma impressora que ao invés de uma foto em duas dimensões me desse um protótipo em três dimensões. E existe! Trata-se da Impressora em 3D. Sim ela imprime em três dimensões. Duvida? Por R$ 900,00 (novecentos reais) até você pode construir uma dessas para uso particular. O projeto "open-source" está na internet. E, depois que você conseguiu a primeira você pode imprimir a própria impressora e outra e outra até o infinito! Pegue o seu celular e digite http://www.youtube.com/watch?v=Zs5qJVvclwA no campo de endereço do seu browser. Você poderá assistir a reportagem no seu celular e ver a impressora funcionando.

Bem... o que eu estou querendo dizer é que esse mundo está se tornando surrealista. Coisas que você julgava impossível, hoje é possível. Coisas que você nem sonhava, hoje existe. Eu poderia falar sobre inúmeras coisas fantásticas...

Agora mesmo estava numa loja de revenda de produtos brastemp e dois velhos conversavam sobre quantas vezes eles já trocaram a articulação do joelho, da bacia, etc. Um dizia ao outro: "Pois é, meu médico achou melhor trocar a articulação da perna esquerda. Eu já não estava conseguindo andar direito. Depois da troca, voltei a andar." Era como se eu estivesse ouvindo dois carros conversando um com o outro sobre a troca do sistema de amortecedores. Nossos homens biônicos de hoje. Cristalino artificial, com resolução melhor do que o paciente tinha antes. Dentes implantados. Corações transplantados, etc.

Antes eu só sabia andar por uma cidade quando eu estivesse lá em carne e osso. Hoje eu posso andar por uma cidade sem estar lá. Isso mesmo. Eu posso andar por uma rua, olhar para um lado da rua, depois para o outro, ir em frente, voltar por onde havia passado e até ver a vitrine de uma loja sem ao menos saber como se chega ao país onde a cidade se situa. Basta entrar no Google. Quer dizer, antes nos diziam: "Não queira atravessar a ponte antes de chegar nela." Agora você pode fazer exatamente isso: atravessar a ponte Golden Gate sem nunca chegar até lá!!

E eu nem mesmo sei o que fazer com tantas opções.

Tuesday, June 17, 2008

Filhos do Diabo: Inimigos do Bem

Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama seu irmão. Primeira carta de João 3:10
Todos os brasileiros que estavam assistindo o noticiário na TV viram estarrecidos o brutal e covarde massacre do metalúrgico Fabiano que aconteceu na porta de uma boate em Sorocaba sob o olhar complacente dos "seguranças" daquele estabelecimento.

Brutal porque Fabiano foi abatido sem dó e nem piedade. Pisado como se pisa em uma barata. Até mesmo para fazer uma cena de esmagamento de uma barata num filme tem-se que garantir que as verdadeiras baratas foram poupadas. Mas Fabiano foi chutado repetidas vezes e, quando já estava desacordado e indefeso agonizando no chão, seus algozes pularam com os dois pés sobre seu tórax e várias vezes sobre sua cabeça! Indescritível barbarismo!

Covarde porque seus agressores, como hienas em bando (se bem que as hienas matam para se alimentar), o atacaram simultaneamente de todos os lados impossibilitando qualquer reação de defesa. Um a um e duvido que eles tivessem coragem de atacar o cidadão brasileiro com domícilio e profissão certa como fizeram. São facínoras a solta para o mal da sociedade. São inimigos do bem. Criminosos que deveriam estar trancafiados, para o bem da sociedade ordeira e trabalhadora.

Senhores legisladores, senhores responsáveis pela manutenção da ordem nessa nossa sociedade tão sofrida, como é que um bando desses está livre para linchar qualquer um que encontre pela frente?

Senhor Presidente, não é possível que Vossa Excelência deixe o governo sem antes promover uma reforma no sistema prisional desse país. É preciso que marginais desse quilate, já que não temos a pena máxima em vigor, sejam recuperados ou apodreçam na prisão. Por isso, chega do povo pagar estadia para vagabundos dessa espécie. Eles têm que trabalhar para o seu próprio sustento. Chega de prisões que se transformam em pós-graduação do crime. Chega de prisões que se transformam em QG da bandidagem, empresas de seqüestros relâmpagos. Por favor, senhor Presidente, não nos desaponte mais!!!

Wednesday, April 16, 2008

O Neoceticismo

Em torno do ano de 43 d.C., Enesídemo, de Cnossos, publicou seu manifesto em Alexandria, inaugurando uma nova escola cética, tomando por base os pensamentos de Pirro de Élida. Cícero havia acabado de morrer.

"Os filósofos da Academia são dogmáticos, propondo certas coisas sem incertezas e rejeitando outras sem hesitação. Já os seguidores de Pirro fazem profissão de dúvida e são livres de qualquer dogma: nenhum deles, absolutamente, afirmou que todas as coisas ou algumas delas são incompreensíveis e ou são compreensíveis, mas sim que elas ora são compreensíveis e ora incompreensíveis ou então que são compreensíveis para um e não são de forma alguma compreensíveis para outro. Tampouco disseram que todas elas juntas ou algumas delas são captáveis, mas sim que elas são captáveis não mais do que sejam captáveis, que ora são captáveis e ora não são captáveis ou então que para um são captáveis e para outro não são captáveis. E, na verdade, não há verdadeiro nem falso, provável nem improvável, ser nem não-ser; o que há é que a mesma coisa, por assim dizer, não é mais verdadeira do que falsa, mais provável que improvável, mas ser que não-ser, ou então ora isto e ora aquilo ou ainda para um feita de tal modo e para outro não feita de tal modo. Com efeito, em geral, os pirronianos não definem nada - e não definem nem mesmo isso, ou seja, que nada se pode definir -, mas dizem que nós falamos sem ter com que expressar o que é objeto do pensamento. E sustentam que os filósofos da Academia, especialmente os contemporâneos, se remetem por vezes a opiniões estóicas e, para dizer a verdade, parecem estóicos que polemizam com outros estóicos." [Fonte: História da Filosofia, Giovanni Reale e Dario Antiseri, Editora Paulus, vol. I, pag 314]

Para nós que vivemos uma era de mistura de certezas com incertezas essa discussão antiga é interessante. Basta dizer que vivemos a era dos computadores, lançamentos de foguetes espaciais, satélites, que exigem grande precisão de cálculos, exigem certeza num grau acuradíssimo. Porém, também dizemos que não é possível conhecer com o mesmo grau de certeza a posição e a quantidade de movimento de um elétron. Isso, para ficar só na física.

Mais interessante ainda é conhecer a Tábua das Supremas Categorias da Dúvida de Enesídemo:

  1. Os vários seres vivos têm diferentes constituições dos sentidos, que comportam sensações contrastantes entre si;
  2. Porém, também se nos limitarmos só aos homens, notamos entre si tais diversidades no corpo e naquilo que se chama "alma" que são capazes de comportar diversidades radicais também nas sensações, nos pensamentos, nos sentimentos e nos comportamentos práticos;
  3. Até mesmo no homem individualmente a estrutura de cada sentido é diversa, a ponto de comportar sensações em contraste entre si;
  4. Ainda no homem tomado singularmente, são muito mutáveis as disposições, os estados de espírito e as situações e, portanto, as respectivas representações;
  5. Conforme tenham educação diversa ou pertençam a povos diversos, os homens têm opiniões diversas sobre tudo (valores morais, deuses, leis, etc);
  6. Não existe nenhuma coisa que apareça em sua pureza, porque tudo está misturado com o resto e, consequentemente, nossa representação resulta condicionada por isso;
  7. As distâncias e posições em que se encontram os objetos condicionam as representações que deles temos;
  8. Os efeitos que as coisas produzem variam de acordo com sua quantidade;
  9. Todas as coisas são por nós captadas em relação com outras e nunca por si sós;
  10. Conforme a sua frequência ou a raridade com que aparecem, os fenômenos mudam o nosso juízo.

Por esses motivos, portanto, impôe-se a "suspensão do juízo" (epoché)." [Ib., pag 315]

Depois Enesídemo criou uma outra tábua mostrando as dificuldades que impedem a construção de uma ciência. Pois é, acabou se vendo às voltas com a tarefa de descobrir as causas pelas quais não é possível descobrir as causas. Complicado, não é mesmo?

Thursday, February 7, 2008

Vivendo acima da Realidade

"Muitos daqueles que deambulam em carne e osso pelo mundo real não lhe pertencem, mas sim ao outro. Perder-se assim a pouco e pouco, sim, quase desaparecer da realidade, pode ser saudável ou mórbido." Diário de um Sedutor, Kierkegaard.

Muitas vezes vivemos como se fôssemos espectadores da vida. A vida passa e nós não estamos no controle dela. Vivemos uma realidade paralela. É como se a nossa vida estivesse sendo vivida por um outro. Só que este outro, estranhamente, somos nós mesmos. Mas não parece que o que lhe acontece, ao outro, nos atinge de alguma maneira. Não temos planos, não temos projetos, apenas observamos. Não sabemos como viemos parar aqui. De certa forma, não estamos certos sobre quem somos realmente. Qual o nosso papel? Vivemos para quê?

Doncovim? Proncovô? Quemcossô?