Estamos todos do lado de cá.
Não pedimos para vir.
Mas aqui estamos todos nós.
Todos perdidos na superfície desse planetinha azul...
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
A maioria de nós não olha mais as estrelas...
Não levantamos mais nossos olhos para o céu!
E nossa estadia aqui é tão curta!
Cada dia vemos sinais de nossa partida.
E pode ser a qualquer hora, a qualquer minuto...
Mas nós já não temos tempo para pensar sobre isso.
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
Ontem eu vi uma pequina abelha voando graciosa.
Descreveu uma curva admirável no ar...
E pousou na salada de tomate e alface.
Sabe, daquelas abelhinhas pretinhas que moram no buraco da árvore!!??
Eu fiquei olhando.
Ela aterrisou sobre o campo de pouso do tomate vermelho...
Caminhou sobre a superfície livre do tomate... e parou.
Inclinou a minúscula cabeça para o tomate como se fosse comer...
Seu abdomen ficou reto, apontando para o céu.
Ela ficou imóvel.
Eu pensei: "O que será que uma abelhinha veio fazer numa salada de tomate?"
Ela não se mexia. Como se estivesse saboreando o tomate.
Curioso, pensei alto: "o que estaria a abelhinha fazendo ali?"
Risos de todos... Ninguém estava interessado na abelhinha.
Alguns chegaram a ficar incomodados porque eu estava interessado numa simples abelhinha...
Observei mais atentamente e percebi que ela acabara de morrer.
Sim, a abelhinha não mais vibrava com vida. Estava morta!
Assim, tão de repente!
Antes, uns poucos segundos antes ela voava graciosamente... agora...
Com a ponta da minha faca retirei-a delicadamente da salada de tomates...
Coloquei-a sobre a toalha. De fato, ela não se mexia. Mortinha da silva!
O que é a vida que é assim tão arredia??? Uns segundos antes ali havia vida...
Uns segundos depois... a vida já se fora totalmente.
Alguém, jocosamente disse: "Chegou a hora dela!"
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
Nós, homo technologicus, somos tão orgulhosos de nossas conquistas...
Não podemos todavia criar a maravilha de uma abelhinha que voa graciosa...
Que pousa numa salada de tomate e... se vai...
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
E de repente, a vida nos deixa e vamo-nos...
Para quê?
Monday, November 14, 2005
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