Monday, November 14, 2005

Uma abelhinha numa salada de tomates...

Estamos todos do lado de cá.
Não pedimos para vir.
Mas aqui estamos todos nós.
Todos perdidos na superfície desse planetinha azul...
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
A maioria de nós não olha mais as estrelas...
Não levantamos mais nossos olhos para o céu!
E nossa estadia aqui é tão curta!
Cada dia vemos sinais de nossa partida.
E pode ser a qualquer hora, a qualquer minuto...
Mas nós já não temos tempo para pensar sobre isso.
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
Ontem eu vi uma pequina abelha voando graciosa.
Descreveu uma curva admirável no ar...
E pousou na salada de tomate e alface.
Sabe, daquelas abelhinhas pretinhas que moram no buraco da árvore!!??
Eu fiquei olhando.
Ela aterrisou sobre o campo de pouso do tomate vermelho...
Caminhou sobre a superfície livre do tomate... e parou.
Inclinou a minúscula cabeça para o tomate como se fosse comer...
Seu abdomen ficou reto, apontando para o céu.
Ela ficou imóvel.
Eu pensei: "O que será que uma abelhinha veio fazer numa salada de tomate?"
Ela não se mexia. Como se estivesse saboreando o tomate.
Curioso, pensei alto: "o que estaria a abelhinha fazendo ali?"
Risos de todos... Ninguém estava interessado na abelhinha.
Alguns chegaram a ficar incomodados porque eu estava interessado numa simples abelhinha...
Observei mais atentamente e percebi que ela acabara de morrer.
Sim, a abelhinha não mais vibrava com vida. Estava morta!
Assim, tão de repente!
Antes, uns poucos segundos antes ela voava graciosamente... agora...
Com a ponta da minha faca retirei-a delicadamente da salada de tomates...
Coloquei-a sobre a toalha. De fato, ela não se mexia. Mortinha da silva!
O que é a vida que é assim tão arredia??? Uns segundos antes ali havia vida...
Uns segundos depois... a vida já se fora totalmente.
Alguém, jocosamente disse: "Chegou a hora dela!"
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
Para quê?
Nós, homo technologicus, somos tão orgulhosos de nossas conquistas...
Não podemos todavia criar a maravilha de uma abelhinha que voa graciosa...
Que pousa numa salada de tomate e... se vai...
Corremos de um lado para o outro,
Cruzamos oceanos... voltamos ao ponto inicial.
E de repente, a vida nos deixa e vamo-nos...
Para quê?

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