Wednesday, August 19, 2009

Somos Todos Canalhas Enrustidos

O ser humano se ilude consigo mesmo: vive um autoengano!

Freud viu isso na psicanálise quando pretendeu descobrir, tirar o teto do indivíduo iludido.

Racionalizamos, mentimos sobre tudo e para todos. E mentimos para nós mesmos. Somos atores de nós mesmos. Representamos os papéis que escrevemos na grande arena da vida.

Quem realmente é bom? Jesus disse: "Por que me chamais de bom? Bom só existe um que é meu pai que está nos céus." Com isso ele anatemizou a todos os que vivem sobre a terra: somos todos maus!!! E ele reforçou esse anátema e postulou que mesmos os maus podem produzir coisas relativamente boas. "Se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos..." Sim, somos maus, mas sim, ainda podemos dar boas dádivas.

Mas, não importa, em última análise nossa motivação é sempre egoísta, ou eu deveria dizer, sempre egocêntrica!?! Se você for retrocedendo pela cadeia da motivação sempre chegará na sua raiz: "Eu".

Mas, e os respeitáveis? E os veneráveis? E os reverenciáveis? E os "santos homens"? E os fariseus? Bem, todos esses mentem. Mentem para os homens, mentem para Deus e mentem para si mesmos. E mentem tanto e com tal dedicação que já não mais podem crer na sua maldade inerente. Acreditam piamente que realmente são bons, sendo no entanto maus.

Bertrand Russell disse algo mais ou menos assim: "Todo homem respeitável é um canalha! E eu olho ansiosamente todos os dias para minha imagem no espelho procurando os sinais de canalhice."

Agora, ainda que conscientemente o homem [não se iludam, a mulher também!] acredite na sua "bondade", inconscientemente paga pesado tributo ao carregar o fardo da negação da sua maldade onipresente. Ele cria uma imagem exterior da sua falsa bondade interior e segue "enganando e sendo enganado".

E, por isso, julgamos o nosso próximo: porque já acreditamos na mentira da nossa própria respeitabilidade!!! Mas o rabi de Israel nos desafia: "Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!"

Somos todos canalhas e mentirosos respeitáveis.

Como seria bom poder desvestir-nos por alguns instantes dessa pesadíssima armadura de bondade que carregamos. Como seria um descanso poder dizer: eu sou um canalha fingidor. E não ter ninguém escandalizado que se atrevesse a nos atirar a primeira pedra!

Que bom seria se o mundo fosse como uma imensa reunião da Sociedade dos Canalhas Anônimos. Cada vez que nos reuníssemos nós nos levantaríamos e diríamos a todos: "Eu sou um canalha inveterado. Pela graça da divindade estou há tanto tempo sem cometer uma canalhice. Então nos confessaríamos diante de todos contando como a nossa canalhice torna o mundo ao nosso redor mais sórdido e nos separa do nosso próximo, igual a nós!

Depois, admirados da nossa própria malignidade, nos sentaríamos espantados de que a divindade não tivesse nos destruído ali mesmo. E lá nosso profundo eu tremeríamos diante dela com reverência e humildade agradecidos, enquanto os outros canalhas sóbrios nos envolveriam com seus braços e nos banhariam com suas lágrimas de compaixão!

2 comments:

  1. Caro Nilson, somos mesmos canalhas!! De perto, bem de perto, todo mundo é feio. Maldito o homem que confia no homem!

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  2. gostei do texto .... muito mesmo!! beijos tio.... o Sr é um canalha que eu gosto muito e respeito eeeheheh

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